2 de ago. de 2012

A vida do Sekito

Cercado por carinho,dedicação e muito amor as feridas tanto da alma como as do corpo do Sekito logo cicatrizaram.
Ele se adaptou rapidamente a nova provedora ,como se tivesse nascido ali,mas passou a ter uma vida de cão,não de boneco de enfeite.
Tudo era diferente para ele,até o se sujar na lama!A alegria voltou aos seus olhos,e se sentindo protegido ficou valente,chegou a enfrentar uma pastora,a Xuxa,que lhe deu uma tremenda surrar!

Sekito chegou em minha casa no ano de 1998.Tudo corria bem na vida desse sofrido cãozinho,até que fui agredida e precisei me ausentar  de casa  por 3 meses,quando, por ninguém cuidar de meus cães, eles foram recolhidos.
A vizinha ,mais tarde me contou que chegaram a brigar para ficar com ele.Quando voltei para casa,triste por não andar,fiquei desolada pela falta dos cães.
Trés deles já haviam voltado para casa,mas eu os encontrei  doentes mau nutridos,não eram nem a sombra dos cães que eu deixara em casa.
Fiquei em casa até desocupar uma casa em Valinhos.Mudança acertada ,comecei a me preparar encaixotando tudo.
Mudaríamos no dia 20 de maio .No dia 7 de maio eu estava sentada empacotando livros,quando ouvi uns arranhados no portão da frente.Com dificuldades e sonhando com o retorno de mais cachorros ,fui verificar.
Meu coração quase saiu pela boca quando vi meu Sekito,magro,cheio de feridas pulando de alegria por me ver.
Ele estava morrendo de fome e eu peguei um pé de frango para cozinhar para ele,mas a fome era tanta que avançou em minha mão e o comeu crú
Novamente estávamos juntos!!!!!
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

1 de ago. de 2012

Do luxo ao abandono

Na mesma época em que mudei para Cerqueira César,na rua paralela a linha do trem mudou um casalzinho,vindo do Rio de Janeiro.
Logo se tornaram muito comentados na cidade por terem um cachorrinho da raça pinscher,criado como filho.
Sempre que saiam a rua traziam o cachorrinho em um carrinho,devidamente vestido,até com sapatos.
A empregada da casa contou que ele tinha até um quarto só para ele,devidamente mobiliado.
Apesar de ser um cachorro era tratado como se fosse gente.

Quis o destino que a moça engravidasse e na animação da chegada do primeiro filho,o cãozinho foi descartado.
Certo dia, ao chegar no serviço a empregada encontrou o cãozinho fechado do lado de fora da casa,na calçada.Quando a moça veio abrir a porta pediu que não permitisse que entrasse,pois o médico havia dito que poderia trazer doenças para ela e o bebe.
Aquele serzinho que fora criado como gente ,nem sabia que era cachorro,e muito menos tinha condições de sobrevivência na rua.Ele não fora preparado para isso.
Por um bom tempo ele ficou chorando no portão sem entender o que acontecera.
Foi ficando magro,doente e principalmente muito triste.Uma amiga,vizinha da casa,vendo o sofrimento do bichinho,o levou até minha casa.
O estado de saúde do animal era deplorável,estava muito magro,aparecendo todas as costelas,estava anêmico,com feridas por todo o corpo,como se tivesse sido mordido por outro cão.
Com a ajuda da Herondina,quem o trouxera,ele foi banhado,cuidado,alimentado e por sugestão dela  o chamamos de SEKITO, pois estava muito magro e a grafia era para lembrar sua origem refinada.
.............................................................................................................................................................

31 de jul. de 2012

Minha infância


Olhando as crianças de hoje sinto um aperto no coração por ver a vida que elas levam.Enquanto eu corria pelos campos,descendo e subindo em árvores,hoje elas vegetam  na frente do computador ou da televisão.
Logo cedo perdem a inocência ,ganhando a malícia.
Enquanto eu pulava cordas ou brincava de bonecas,hoje elas se pintam para ir a escola e beijar seu namoradinho.
Minha cabeça era povoada por sonhos regados pela esperança,hoje elas se preocupam em imitar as roupas e trejeitos de uma atriz ou cantora.
Poderíamos considerar isso uma evolução dos tempos?Eu não, não acredito.
Não sou saudosista e muito menos retrógrada,mas com está não vamos chegar a lugar nenhum.
Permitam que as crianças cresçam sem pular estágios da evolução natural.
Deixem a mãe natureza ir comandando a vida como era no meu tempo,tudo tinha a hora de despertar,sem forçar nada.
Era tão bom quando as crianças sonhavam com fadas,duendes,Silfos.
Eles sonhos fizeram grandes escritores nascerem.Nossa imaginação não tinha limites,pois não havia nada pronto,tínhamos que inventar brinquedos.
Que saudades do cavalinho de cabo de vassoura ,da boneca de pano que as mães faziam !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!.
Lembro-me de uma boneca que inventei com bucha,que dava pendurado .
Que saudades das história contadas pelos mais velhos ao lado do fogão de lenha!!!!!!!!!

30 de jul. de 2012

Meus tão esperados 15 anos

Meu pai não se esqueceu de nada para meus 15 anos! Comprou o tecido mais moderno,e ainda trouxe sugestão de modelo,lindos sapatos de salto,pinturas para o olho pele e boca,tudo do melhor!
Para completar comprou meias de nylon,lindíssimas e uma cinta liga para prender a meia.
Até hoje não entendo como  meu pai,um italiano semi-analfabeto pode ,sem consultar ninguém, comprar coisas tão lindas,que povoavam a imaginação das jovens de minha época!Ele realmente não pertencia a este mundo!!
Papai me conhecia tão bem que sabia exatamente meus números e o que eu gostava.Papai sabia que eu detestava que algo me apertasse e foi por isso que ao invés de comprar uma liga para segurar as meia comprou uma cinta liga,que hoje é usada como fetiche,mas nessa época era uma necessidade.
As ligas nada mais eram que elástico largo enfeitado de renda .Ele era colocado nas coxas para prender as meias.
Até completar quinze anos a menina não se pintava,arrumava as sobrancelhas,e usava salto.
No dia que antecedeu o Natal,meu aniversário, pude pela primeira vez arrumar as sobrancelhas.Eu as arqueei como as de Katherine Herpburn,de quem também copiei o coque que mamãe,com a ajuda    da vó Bárbara fizeram em meu cabelo.
Mesmo acamada minha avó participou intensamente na minha transformação em mulher!Ela me pintou,delineou meu olhos,passou o batom e depois de pronta me abraçou e chorou muito!!!!!!!!!!

28 de jul. de 2012

Meu primeiro sapato de salto

Sou de uma geração mais sadia ,justamente por que em minha época a infância era muito mais longa.Nós não tínhamos pressa em se tornar mocinha e muito menos namorar,as brincadeiras eram tantas que nos mantinham crianças por mais tempo.
A menina que se pintava antes dos quinze anos era considerada de má índole.Usávamos sapatos e roupas condicentes com nossa idade.
Menina sapeca  como eu, as mães tinham o cuidado de fazer umas calcinhas, tipo calção,com elásticos na perna.
Eram enfeitados com renda na perna,mas os meus,principalmente os que usava para dançar eu fazia bicos de frivolitè
A  malicia passava longe das meninas de minha época.Para mim ,que conversava com meus pais sobre tudo, tudo mesmo,não havia espaço para a malícia.
Em dezembro de 1959,eu completaria 15 anos e teria direito a uma grande festa,quando meus pais me apresentariam a sociedade.
A briga foi grande,mas eu consegui convencer minha família que não era isso que eu queria.Eu queria uma festinha como sempre teve em meu aniversário,mas queria roupa e sapato de mocinha.
Meu pai, bem antes, já começou a providenciar o melhor e mais moderno  tecido para minha roupa e encomendou no Rafic um lindo sapato de salto.
Com o tecido que meu pai trouxe eu fiz um moderno vestido .O tecido era de poa verde quartel e eu o fiz com imensa gola na cor dos poas.A sua saia era farta,,no joelho.Era bem cinturado.
O sapato era lindo com bico e salto finos.
Na hora  da festa eu parecia uma deusa!
Ah,ia me esquecendo meu pai gostou de vários sapatos e temendo errar,trouxe todos para mim!!!!!!!!

27 de jul. de 2012

Aceitei namorar o irmão de meu amigo

Não sei porque,mas de tanto o irmão de meu parceiro de dança me pedir em namoro,eu aceitei.
Tinha tudo para dar certo,ele era de um família tradicional da cidade e muito amiga da minha família.
Mais de cinco anos mais velho que eu,o rapaz era bonito ,culto e muito amigo.Acredito que para mim ele nunca passou de um ótimo acompanhante.
Fino,de boas maneiras, logo começou a implicar com meu jeito selvagem de ser.Detestava meus amigos e tentava proibir nossa amizade.
Certa feita,no auge de uma discussão eu o fiz ver que era livre e nunca poderia ser o que ele queria.
Ele  conversou com minha mãe,dizendo que entendia que eu era muito jovem e que tinha esperanças de me transformar em uma moça fina.Minha mãe tentou explicar a ele que se essa era a intenção dele ,para evitar sofrimentos futuros, era melhor se afastar de mim.Ela sabia que dificilmente eu mudaria meu jeito ser!
Nos passeávamos bastante,assistíamos show,filmes e conversávamos sobre assuntos da atualidade.
Depois de um certo tempo sua real faceta apareceu!Era um jovem possessivo,ciumento que queria determinar meus atos!Queria que eu desse até meus cachorros,pois não aceitava que eu desse tanta atenção a eles.
Foi aí que comecei a ver que ele não servia para mim.Eu sempre adorei cachorros,minha liberdade para agir e trabalhar.
Se houvesse um pouco de interesse por ele, aí morreu e foi ,de maneira desagradável, que nosso namoro (??)terminou,que nem gostaria de lhes contar!!!!!!!!!!!

26 de jul. de 2012

Meus avós

Hoje no dia em que comemoramos o dia dos avós gostaria de falar um pouquinho daqueles que tornaram possível minha existência terrena.
Sem seus pais, meus pais não existiriam e muito menos eu,isso prova que para viver precisamos sempre dos outros.Bárbara,mas é que ela por ser viúva morava conosco e por ter ajudado a me criar,eu sempre me identifiquei mais com ela.
José do Porto,italiano,marrudo,dele herdei o amor pela terra,o gosto por polenta,figo da índia e cana de açúcar
Acredito que devo a ele minha teimosia,o esconder as emoções.
Não poderei esquece-lo nunca,pois meu filho mais velho é sua cópia,até na maneira de agir.
Pena que eu só descobri o que ele pensava a meu respeito muitos anos após sua partida para além vida.
Só descobri que tudo que ele fazia para mim era por achar que assim poderia ficar mais inteligente ainda.


Vovô Paschoal; italiano miudinho,adorava beber.Não cheguei a conhece-lo,pois quando nasci ele já não estava entre nós.
Dele segundo minha família herdeira a paciência e a maneira de andar.
Vovó Rubina,italiana baixinha,cínica,habilidosa,mandona,a da sua assim como a Bárbara era uma mulher além da sua época.
Dela herdei a independência e talves um pouco de maneira de agir
Vovó Bárbara,uma italiana que apesar  ter vivido no século dezenove,tinha ideias avançadíssimas que só hoje as mulheres estão incorporando.
Dela herdei o amor pelas artes,o artesanato,o valor pelo ser humano.
Meus avós me ensinaram a crer em um ser Superior que a tudo criou,a quem pertence tudo que há.
Eu sou inquilina Dele,nada tenho, ao partir desta vida terei que devolver tudo que recebi para meu uso.
Ao partir só levarei meu eu eterno pois toda  matéria só a Deus pertence!!!!!!!!!!!
.