30 de jun. de 2012

Ter uma linha telefônica já foi investimento!

Hoje um amigo ligou comunicando seu número de telefone.Ele me contou todo animado que ligou para a companhia tefonica a só dois dias e que hoje já vieram ligar seu telefone.
Isso me trouxe a lembrança da época em que mudei para Valinhos e ter uma linha telefônica era artigo de luxo,pois valia tanto quanto um carro.
Aluga-se telefone como hoje se aluga casas ou apartamento.
Quem quisesse adquirir um telefone precisava fazer através de terceiros pois a companhia não tinha linha disponível.
Na década de oitenta começaramos os serviços de  de ampliação da rede telefônica.Eram homens pendurados nos postes esticando fios, em todo lugar.
Era certa a expansão da rede telefônica em Valinhos.
Certo dia vimos , na avenida  Joaquim Alves   Correa , uma nova loja ,aquela que comerciaria  as linhas telefônicas.
Logo a Folha de Valinhos e outros jornais trouxeram a notícia tão esperada, a partir de tal data os novos telefones seriam vendidos, com um novo prefixo.
Seria um número determinado e seria vendido por ordem de chegada. 
Era uma quinta feira e as primeiras pessoas começaram a formar fila na porta da loja.
A notícia se esparramou e as pessoas interessadas  no primeiro telefone ou que possua dinheiro para aplicar passaram a dormir na fila.Era um ótimo negócio,quer para uso próprio ou para alugar.
Famílias inteira se colocaram na fila.
Na sexta feira a fila já havia saído da Avenida e estava contornando a praça paralela a avenida,foi então que convencida por uma amiga que queria  estar lá,mas queria companhia,lá fui eu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

27 de jun. de 2012

Tudo pelos animais

Quando mudei para Valinhos ,na década de 70, a cidade era composta quase que totalmente por italianos ou descendentes.O povo era hospitaleiro e pela minha origem logo fiz grandes amigos.
Como em todo lugar por onde  passei, logo comecei a socorrer animais abandonados. Minha fama ,como uma pólvora se esparramou rapidamente.Me tornei "a professora dos cachorros"
Como poucas pessoas sabiam onde eu morava, era sempre procurada  na entrada ou saída das aulas.
Por várias vezes fui procurada por "madames"que alegavam que iam mudar e não poderiam levar seus "amados"cães.Diziam que adoravam os cães e que dariam tudo para que eu cuidasse deles,prometiam " rios e fundos"
Chorando diziam que dariam toda a ração,remédios se necessário.
No dia em que levavam os bichinhos para minha casa levavam ração,a caminha deles e nunca mais voltavam,nem mesmo para saber se eles estavam vivos.
Aos poucos descobriram onde eu morava e passaram a levar em caixas e deixar no meu portão,ninhadas inteiras,inclusive a mãe.
O pior aconteceu quando eu instalei telefone em casa.Certa vez ligaram da rodoviária. a meia noite avisando que havia uma cachorrinha dando cria lá e que o administrador pedira para jogar fora.
Lá fui eu com meu fusca azul socorrer mais um animal abandonado.
Era uma cachorra de raça que dava filhotes mestiços.Foi muito fácil 60 dias depois doar todos.
O pior era quando se jogava cachorrinhos recem nascido ,ainda com o cordão umbelical.
Esses filhotes tinham  que mamar de 2 em 2 horas.e para mante-los vivos contei sempre com a ajuda de meus filhos.
Nessa época os animais não tinham direitos só a obrigação de amar e servir aos seus donos,enquanto fosse conveniente a eles!!!!!!!!!!!!!!!!!!

22 de jun. de 2012

Minha irmã de coração

Sempre que o telefone toca de manhã,ao atender posso ouvir a voz de dona Lourdes,procurando saber como estou e se preciso de ajuda ou então ouço a voz suave de minha amada Maria Clarice!
Ontem não foi diferente,ao atender o telefone ouço Clarice dizendo" Estou o morrendo de saudades!
Como é bom saber que aquela amizade nascida em 1952,cresceu,enfrentou a separação sem nunca diminuir!
Maria Clarice que se auto classifica como negra, não achando certo se falar afro-descendente,diz ela que então eu não deveria ser chamada de branca mas sim euro descendente
Normalmente ficamos conversando por um bom tempo!Enquanto falamos vai passando pela minha mente imagem de duas meninas que corriam pela cidade aprontando todas!
Nunca vimos que nossa cor era diferente,para nós eramos iguais em tudo, para nós o mais importante era a nossa cumpricidade ,nossa alegria que via em tudo uma razão para  rir e brincar.
Nossa relação é tão grande, que sempre que uma está triste a outra precinte e liga.
Eu nasci em dezembro e ela em maio por isso faz questão de afirmar que sou mais velha que ela.oque nos faz dar boas risadas!
Outro dia ela me ligou apavorada.Como havia tirado uma árvore que ficava ao lado da janela de seu quarto,este ficara mais claro e ela pode ver melhor sua imagem refletida no espelho e se assustou .
Não se conformou com as marcas que o tempo havia deixado em seu rosto,seus cabelos brancos,seus traços deformados pela gordura!
Então disse a ela que não era importante a imagem que ela via mais sim a pessoa que ela sentia ser!
Eu tenho 67 anos,como ela, mas trago o coração cheio de sonhos,anseios de realizações que fazem inveja a uma menina de 15 anos,e creio que ela também se sente assim por isso que se apavora vendo o rosto de uma velha!!!!!!!!!!!!

19 de jun. de 2012

O apego

Nós,humanos somos egoísta principalmente quando se trata dos seres que amamos.Queremos te-los sempre ao nosso lado,mesmo que velhos,doentes e incapazes.
Quando um ser que amamos parte para nova vida nossa tristeza é imensa.A mãe chora a ausência do que se casou!
Entramos em depressão quando aquele parente que tanto amamos parte para além vida.A presença física do ser amado ,que partiu,faz uma falta imensa!
Imagine,então uma pessoa só,cujo único companheiro parte!Domingo recebi a notícia que o cãozinho,único companheiro de minha tia,havia partido para além vida!
Esse cãozinho era de meu tio, seu marido, que faleceu a mais de 5 anos.Ele tinha mais de 13 anos e vinha sofrendo de câncer.Aguentou as sessões de quimioterapia,mas não a infecção causada pelo carrapato.
Ele era a razão de minha tia sair passear todos os dias até a praça.
Foi o amor desse cãozinho,bem velhinho que ajudou minha tia a superar  a partida de meu tio,ele com suas graças,latidinhos,lambidas trouxe de novo a vontade de minha tia viver.E agora quem irá anima-la?
Sua dor deve ser imensa Antes ela vivia no sítio com suas galinhas,sua horta,seu pomar e seu cãozinho correndo por tudo,sempre ao seu lado.
Com a partida de meu tio e a venda do sítio,pois ela não poderia morar só naquele lugar,ela comprou uma casa de frente a sua única filha,mas passou a morar sozinha com seu cão!
Somos de geração que detesta morar com os outros,gostamos de ter nosso cantinho,nossas coisas!
Hoje minha tia está de luto,chorando a morte de seu companheiro querido!

15 de jun. de 2012

Primeira festa junina da escola Pe Leopoldo

No primeiro ano de vida da Escola Pe Leopoldo,tendo em vista que a escola era nova,quase nada possuía.Eu lecionava na quarta série,tínhamos por diretora a Prof.Tereza,que como eu adorava a profissão e a ela se dedicava de corpo e alma  Eu já a conhecia pois tínhamos trabalhado como voluntárias na APAE com o Pe Leopoldo.
Em conversa levantamos a possibilidade de se fazer uma festa junina na escola,e em uma reunião decidimos fazer essa festa,que serviria para angariar fundos para a Associação de pais e mestres da escola.
Tudo decidido,aprovado pela DE passamos a trabalhar duro.
Nosso objetivo era mostrar a sociedade de Valinhos o nosso trabalho tanto cultural como educacional.
Enquanto eu não estava em horário de aula,contando com ajuda da dona Lourdes.que era muito conhecida na cidade,eu andava os quatros cantos de Valinhos angariando prendas ,no comércio local.
Os pais colaboraram oferecendo pratos de doces e salgados.Ganhamos tanto que deu para fazer um bingo e ainda vender numa feirinha na rua em frente a escola.
Cada classe organizou uma atividade para apresentar aos pais,eu além da quadrilha, cantei o bingo.
A escola foi toda enfeitada pelos alunos,sem prejuízo das aulas.Todos trabalharam com muito amor e no dia tudo estava perfeito.
No pátio havia barracas para venda de lanches,pipoca,quentão ,vinho quente.maçã do amor.
A feira de frente a escola durou muito pouco,pois vendíamos mini cestas básicas por um preço irrisório.Afinal de contas tudo era ganho mesmo!
O bingo foi um sucesso!Tínhamos até leitoa assada como prêmio!
A final de contas a escola pode mostrar a comunidade que sabia fazer um trabalho sério e que havia nascido para servir a comunidade,pena que algumas autoridades não perceberam isso e a jogaram para qualquer lugar!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

14 de jun. de 2012

A esperteza de dona Nega

Minha mãe chama-se Regina,mas como foi criada junto com os colonos,começou ser chamada de "NEGA',pois era a mais morena de todos,apesar de seus lindos olhos azuis como o céu!
Esse apelido pegou tanto, que ela por várias vezes demonstrou que havia se esquecido do seu real nome.
Uma dessas vezes uma senhora se aproximou do portão de casa e chamou  "Dona Regina,um minuto por favor,preciso falar com a senhora,"mamãe continuou o que estava fazendo,como se não fosse com ela.Foi necessário  chamá-la para atender a senhora e ela pediu desculpas alegando que a muito tempo ninguém a chamava de Regina.
Essa mesma mulher que esquecia seu nome ,aprendeu a vida toda.
Criada ao lado de  descendente de escravos,aprendeu com eles sua comida,suas tradições,usos e costumes.
Com os imigrantes de outro países foi a mesma coisa.Mamãe fazia umas comidas árabe deliciosas.
Foi com os  negros que ela aprendeu a fazer farinha  de milho,de mandioca,araruta ,fécula de batata doce,biju!
Tenho nítida na memória a imagem de minha mãe ,mexendo no forno (uma chapa de ferro com fogo  embaixo)na casa do monjolo,a pasta de milho ou mandioca para fazer a farinha.
Papai ,que era muito criativo,fez umas pás como se fossem rodos de puxar água,de lata e era com elas que mamãe ficava mexendo para que a secagem fosse por igual!
Até eu ganhei uma uma pazinha para brincar de ajudar minha mãe!O mais importante é que nunca ouvi minha mãe dizer que algo era perigoso!
Nessa mesma casa do monjolo ficava pendurado, para secar ,a fécula e a maisena!Eram sacos branquinhos como a neve!
Que bom que eu tenho tanto a lembrar,pois assim torno eternos os objetos e pessoas que tanto marcaram  minha vida!!!!!!!!!!!!

13 de jun. de 2012

Meu neto Augusto

Na época eu morava 300 km distante de meus filhos,mas acompanhei a espera do meu quarto neto como se perto estivesse.Para o amor não há distâncias!Meu filho me mantinha  a par dos  exames que a mamãe de primeira viagem fazia.Quando soubemos do sexo os pais saíram a cata do nome do novo herdeiro.
Bem antes do nascimento o nome Augusto já havia sido escolhido!
Foi no dia 11 de junho,que meu neto veio ao mundo,através de uma cesária.
Tão logo a mãe e o bebe estavam fortes ,foram me visitar.Quando o conheci,logo percebi que era uma criança muito especial Por um bom tempo ele só me conheceu pelo telefone, eu era a vó do telefone.
Vindo para Valinhos pude estar mais perto dessa criança esperta,emotiva e com muito amor para dar!
No último dia 9 tivemos a comemoração de mais um aniversário seu.
Foi tudo muito bom ,as duas famílias estiveram unidas.
Tive a oportunidade de estar com todos meus netos,e meus filhos ao meu lado.
Meus netos são todos ótimas pessoas,cada um com sua maneira de ser.
Nessa noite todos felizes comemoramos mais um aniversário do querido por todos,o Augusto. .Seus irmão brincaram como crianças no boliche e no basquete, contando com a companhia do único primo,o Gabriel!
Até os pais se puseram a jogar!
Pude estar com amigos,como a família da mãe do Augusto,pessoas boníssimas que nunca mediram esforços para me ajudar sempre que precisei!!!!!!!!