28 de abr. de 2012

A saga da habilitação!

A pós  provar que conhecia as leis de transito,seus sinais chega a hora de provar que realmente sabia dirigir,exame marcado lá fui eu provar que sabia dirigir.
Em uma praça de Avaré tudo estava preparado para o exame.Primeiramente fazia-se a prova de estacionamento,só que nessa época não havia auto escola e nem marquinhas no vidro,tinha que ser na raça.
Havia muitos homens e somente 3 mulheres e uma delas era eu.Os fiscais ficavam observando tudo e ao primeiro erro eles pediam para sair do carro que estava reprovado.Se um pneu tocasse a faixa era reprovação certa!
Como meu nome começa com A fui uma das primeiras a fazer o estacionamento,e ,o mais  engraçado que na minha vez o delegado Dr Faraco foi que serviu de fiscal ,observando cada manobra que eu fazia com muita atenção como que procurando um erro.
Em seguida ele deu ordem para eu fosse fazer a garagem.O espaço era minúsculo e as manobras eram muitas,tudo aos olhos atentos  do delegado que não arredou pé .
Saindo dessa prova o meu carrasco deu sinal para eu dirigisse até o local da rampa.Nessa prova não se podia deixar o carro voltar nem um milimetro,na hora em que se saia ou parava.Como eu havia aprendido a dominar a embreagem, não tive problema algum.
Terminada essa prova ele pediu que eu estacionasse.Logo em seguida o delegado trazendo na mão uma prancheta nas mão entrou no carro e disse "agora vamos fazer percurso."
O carro estava estacionado em uma subida e deligado.Eu dei a partida e sai sem voltar nenhum milimetro,e ele marcou na prancheta.
Atravessamos praticamente toda a cidade e ele tentando me atrapalhar.Ao passar por um pontilhão ele pediu para que parasse um pouco que queria dar uma ordem para um policial que passava,mas eu esperta disse que poderia parar após o pontilhão mas nele pois era proibido.Ele deu uma risadinha e escreveu na prancheta.
Quando estávamos quase retornando quando ao passar por um bar bem próxima de uma placa de proibido estacionar ele pediu para que parasse e eu simplesmente procurei um local onde era permitido parar.
Parei e perguntei se ali estava bom ,ele riu e mandou continuar.
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27 de abr. de 2012

Finalmente consigo Habilitação para andar com meu fusca!

Vocês não tem noção como tudo era diferente na minha época!Carros eram raros,em Cerqueira César onde eu morava havia uma família com carro,era os Ferracini,que todos os domingos entraram no carro e passeavam pela cidade toda,as meninas,nossas amigas iam acenando!
Os sitiantes tinham a Aero Wullys que era uma caminhonete.Havia um ou outro carro na cidade,no geral se usava as carroças ou cavalos.Nessa época quase ninguém tinha habilitação,inclusive meu marido,mas todos dirigiam.
Por isso que fiquei feliz quando meu fusca chegou.No outro dia da chegada do carro ,como havia combinado o Ary veio para me dar aula.Fomos para um decampado, onde ele me explicou todas as partes do carro,pois acreditava que precisava conhecer para saber dirigir.Fez questão de explicar o funcionamento do motor.
Ele falava o com tanta convicção e paixão que me animou a aprender tudo que ele queria me ensinar!
Logo no final ele me orientou como dirigir.Lembro até hoje suas palavras de incentivo  de orientação!
Ele dizia não olhe no capô do carro,olhe para frente e no infinito,para andar em linha reta.
Muito bem,você vai indo muito bem.
Por 8 dias tive aula de direção,a parte eu estudava as leis de transito e as placas para prestar exame.Meu marido também prestaria o exame.
Os exames eram feitos em Avaré,pois em minha cidade não tinha delegacia de   transito.
No dia marcado fomos para o exame escrito.Tínhamos que responder perguntas e reconhecer placas de transito.
Naturalmente eu passei e ganhei o direito da prova prática,a ser marcada posteriormente.
O Ary passou a me orientar sobre o exame de baliza,garagem ,declive e exame de rua.Ele disse que eu precisava estar bem pois o delegado era contra mulher dirigir,só aprovava quem fosse muito bem sem erros!
A prova foi marcada e lá fomos nós,com a certeza da vitória!
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25 de abr. de 2012

Finalmente o Fusca azul chegou!

Por um bom tempo, economizando tudo que era possível,juntamos o dinheiro necessário para adquirir meu fusca!Partimos então a procurar o preço menor e quem tinha pronta entrega!
A produção era pequena e raramente havia pronta entrega e, nesse caso era um preço bem maior.
Ficamos sabendo que em Paranapanema,logo na Raposa Tavares ,havia uma agencia que tinha fusca por preço especial,pois trabalhava com venda de carro oriundo de consórcio de firmas.
Meu marido e o Ary(era o homem que melhor sabia dirigir na cidade e conhecia carro como ninguém) saíram de casa logo cedo para tentar encontrar essa agencia.
Meu marido sabia dirigir mas não tinha Habilitação.Eu não sabia dirigir mas Ary havia prometido me dar umas 8 aulas para eu fazer o exame.Ao lado do Posto Tibiriçá ,encontraram a loja e lá tinha um fusca azul diamante,o qual meu marido comprou.
Todo garboso,imponente,luzindo de tão novo ,azul como o céu,foi assim que tive o meu primeiro contacto com ele.Foi paixão mútua a primeira vista.Como o fusca era lindo!
Ao entrar nele se sentia cheiro de carro novo.Seu volante era grande,seu teto era preto com furinhos,seu assoalho era revestido de um emborrachado,tendo tapetes para protege-lo.
Como o Ary prometeu começar minhas aulas no outro dia,eu sentei ao volante e me pus a imaginar dirigindo e indo para todos os lugares!!!!!!!!!!!!!

21 de abr. de 2012

A cultura do roceiro!

Desde o começo deste blogger venho afirmando a vocês que sou uma roceira,alguém que nasceu e viveu por um grande tempo na roça ou seja num  sítio,e não na cidade.Em algumas regiões do Brasil sou uma sertaneja.
Diz se sertão ou  roça, lugar onde se vive da terra.Meus pais e avós eram lavradores que com o suor de seus rostos adquiriram bastante terra para lavrar,e assim se transformaram em fazendeiros, mas conservaram toda a cultura de quando eram simples lavradores que dependiam unicamente  da terra.
Conviveram com escravos libertos alem dos irmãos imigrantes!Tinham uma cultura própria,aberto para a aprendizagem de novos conceitos!
Eram religiosos e tinham convicção de que havia uma força maior que dirigia a vida!
Viviam seguindo os sinais da natureza.Quando chovia iam para a terra semear,quando o sol avermelhava se preparavam para conviver com o frio,protegendo os animais.
Quando  os pássaros saiam em revoada ou os sapos coaxavam se preparavam para a chuva!
De acordo com a direção do vento sabiam o clima.Encontravam água usando uma forquilha de madeira.
Viviam cada dia de uma vez,procurando fazer desse dia o melhor de suas vidas pois sabiam de dele dependia o futuro.Agradeciam pelo dia que amanhecia,pois estavam vivos e prontos para a luta.
Hoje os meus Meladinhos fizeram uma tremenda bagunça rasgando muitos de meus papeis antigos e, ao ir conferir o estrago encontrei um antigo caderno onde na época da escola eu registrava as poesias que tinham algo comigo e entre essas poesias encontrei esta que explica como aprendi a viver:
                                 Saudação ao amanhecer
Concentra-te neste dia que desponta!
Pois ele é a vida,
A própria vida em seu breve curso.
Jazem nelas todas as verdades e realidades de tua existência;
A felicidade de crescer,
A gloria de agir,
O esplendor da beleza;
Pois o dia de ontem é apenas um sonho
E amanhã uma visão,
Mas o dia de hoje, bem vivido,
Torna cada dia passado um sonho de felicidade
E cada manhã uma visão de esperança,
Concentra-te, portanto,neste dia!
Neste dia maravilhoso que desponta.
Foi assim que meus pais sertanejos me ensinam a viver!!!!!!!!!!

20 de abr. de 2012

O Indio é o real dono da terra!

Ontem 19 de abril ,Dia do índio, lembrei-me de minha vagem para a Amazônia,onde pude conhecer uma tribo indígena!
Lembrando deles minha revolta com nossa sociedade é muito grande.Quando se tomou posse do Brasil para Portugal toda esta terra pertencia a esse povo.
Com a chegada do branco,quem perdeu foram só os índios que receberam doenças,imposição de atos sociais que os levou a perder sua inocência,sua terra e sua maneira de viver.
O branco o trata como incapaz,está na nossa Constituição,decidimos qual é sua terra e como deve viver,mas esquecemos que muito aprendemos com eles.
Enquanto trouxemos para eles doenças,eles nos ensinaram o real valor da mãe Natureza!
Para eles tudo que vem da natureza é Sagrado,as suas  manifestações são amadas e respeitadas como o trovão, a água,as pedras,a chuva,o vento.
O índio é explorado pelo branco,que sabendo das suas necessidades o  convence a tirar de maneira ilegal madeira da floresta,se deixássemos viverem suas vidas sem tentar mudá-los isso não aconteceria.
De maneira silenciosa esse amor pela natureza,e o viver livre foi nos influenciando e hoje nos preocupamos muito mais com nosso planeta e com a natureza.
O índio vivia livre ,nu sem falsos pudores e nós conseguimos que eles se vestissem e ficassem em lugares restritos.
Até sua língua quisemos tirar,ensinando o português.Obrigamos a acreditar na nossa religião,quando aquilo que acreditavam era a veneração maior por nosso Deus;o amor por tudo que ele criou!!!!!


19 de abr. de 2012

A última grande viagem de trem-parte final

Cansados da viagem,naquela noite foi só cair na cama e pegar no sono,como disse meu marido "se entregou aos braços de Morfeu"!
No dia seguinte logo após o farto café,meu marido se dirigiu ao local do curso,por lá ficando até as 17 h!Eu e meu filho saímos para passear,visitando os locais que eu conhecia.
Durante toda a semana,enquanto meu marido estava no curso,de manhã eu saia com o Ulisses.Ele brincou em parquinho,correu no parque,ria muito em cada brincadeira.
A tarde ,como o sol era muito quente,ficávamos no hotel,ele brincando com todos,descendo e subindo as escadarias do hotel,sempre tendo um anjo da guarda do lado;ou a copeira ou a dona do hotel,que se apaixonou por ele,ou outro hóspede.Eu aproveitava para ler enquanto espiava as badernas que todos aprontavam com o Ulisses.
Todas as noites ,após o jantar saiamos os três  passar na noite quente de Presidente Prudente.
Na última noite ,no encerramento do curso todos os participantes,com suas esposas foram convidados para 
um jantar.Evidente que nós seríamos os únicos a levar um filho,mas eu não me abalei.
Coloquei um conjunto de short ,camisa  social,meias três quartos e um bonito sapato no Ulisses,vesti um tubinho de decote canoa,adornado com um colar ,cinto e sapato de salto e lá fomos nós.
De imediato chamamos a atenção por trazermos um filho,o que logo foi esquecido pelo belo comportamento dele.Outra coisa que chamou a atenção foi o fato de eu ser uma professora já concursada com minha idade.
Tudo estava indo muito bem,com conversas agradáveis,até que um garçom passou ao lado da nossa mesa para servir a mesa do lado.
O Ulisses se esticou no cadeirão e,zás catou uma folha de alface e levou a boca,eu pedi desculpas,mas o senhor da mesa ao lado pediu que primeiro servissem o reizinho que estava com muita fome.Todos ao redor bateram palmas e nós caímos na risada.
Se esta foi a primeira viagem do Ulisses, para mim foi a última,pois tempos depois passei a viajar no meu fusquinha azul diamante e eu dirigindo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

18 de abr. de 2012

A última grande viagem de trem!

Meu filho mais  velho, o Ulisses, tinha um pouco mais de um ano,meu marido trabalhava  no então recém nascido Sindicato  Rural de Cerqueira César quando foi convocado para fazer um curso,pelo Sindicato  em Presidente Prudente,a capital da alta Sorocabana,
Ele tinha a passagem de trem,estadia e alimentação gratuita.O então presidente ,e fundador do sindicato ,senhor Manoel Moura Leite,sugeriu que ele nos levasse junto.
Malas prontas e o Ulisses estava pronto para sua primeira viagem de trem .Prevenida como sou,, preparei lanches,frutas e petisco,pois nosso dinheiro estava curto ,não poderíamos pensar em comer no trem .
Bem vestidinho,com seu conjunto safari,o Ulisses não continha sua animação.E, logo as 8h tomamos o trem.
Nossas passagens eram da classe econômica,os bancos eram de madeira ,duros como eles só!
Para meu filho era o céu! De imediato se pôs a andar pelo vagão todo garboso!Quando o trem partiu ele assustou um pouco,mas logo voltou a se animar.
O vagão foi ficando praticamente vazio a medida que se distanciava de nossa cidade e isso foi muito bom,pois assim pude arrumar uma cama no banco de frente ao nosso,com mantas e agasalhos ,para que o Ulisses dormisse .
A viagem foi pouco confortável,mas procurei mostrar o trem todo para meu filho,mostrar por onde passávamos e tenho certeza que para ele foi um grande presente!
Ficamos confinados no trem por 8 horas,quando então chegamos em Presidente Prudente,uma cidade de porte grande que eu já visitara outras vezes com meus pais.
Os olhinhos de meu filho brilham de contentamento ao ver tantos carros,pessoas andando apressadas.
Fomos de imediato para o Hotel,onde tínhamos vagas já reservada.A dona do hotel nos recebeu,logo ofereceu um lanche e alimento para meu Ulisses,que de imediato conquistou a todos pala sua beleza e esperteza.
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