19 de abr. de 2012

A última grande viagem de trem-parte final

Cansados da viagem,naquela noite foi só cair na cama e pegar no sono,como disse meu marido "se entregou aos braços de Morfeu"!
No dia seguinte logo após o farto café,meu marido se dirigiu ao local do curso,por lá ficando até as 17 h!Eu e meu filho saímos para passear,visitando os locais que eu conhecia.
Durante toda a semana,enquanto meu marido estava no curso,de manhã eu saia com o Ulisses.Ele brincou em parquinho,correu no parque,ria muito em cada brincadeira.
A tarde ,como o sol era muito quente,ficávamos no hotel,ele brincando com todos,descendo e subindo as escadarias do hotel,sempre tendo um anjo da guarda do lado;ou a copeira ou a dona do hotel,que se apaixonou por ele,ou outro hóspede.Eu aproveitava para ler enquanto espiava as badernas que todos aprontavam com o Ulisses.
Todas as noites ,após o jantar saiamos os três  passar na noite quente de Presidente Prudente.
Na última noite ,no encerramento do curso todos os participantes,com suas esposas foram convidados para 
um jantar.Evidente que nós seríamos os únicos a levar um filho,mas eu não me abalei.
Coloquei um conjunto de short ,camisa  social,meias três quartos e um bonito sapato no Ulisses,vesti um tubinho de decote canoa,adornado com um colar ,cinto e sapato de salto e lá fomos nós.
De imediato chamamos a atenção por trazermos um filho,o que logo foi esquecido pelo belo comportamento dele.Outra coisa que chamou a atenção foi o fato de eu ser uma professora já concursada com minha idade.
Tudo estava indo muito bem,com conversas agradáveis,até que um garçom passou ao lado da nossa mesa para servir a mesa do lado.
O Ulisses se esticou no cadeirão e,zás catou uma folha de alface e levou a boca,eu pedi desculpas,mas o senhor da mesa ao lado pediu que primeiro servissem o reizinho que estava com muita fome.Todos ao redor bateram palmas e nós caímos na risada.
Se esta foi a primeira viagem do Ulisses, para mim foi a última,pois tempos depois passei a viajar no meu fusquinha azul diamante e eu dirigindo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

18 de abr. de 2012

A última grande viagem de trem!

Meu filho mais  velho, o Ulisses, tinha um pouco mais de um ano,meu marido trabalhava  no então recém nascido Sindicato  Rural de Cerqueira César quando foi convocado para fazer um curso,pelo Sindicato  em Presidente Prudente,a capital da alta Sorocabana,
Ele tinha a passagem de trem,estadia e alimentação gratuita.O então presidente ,e fundador do sindicato ,senhor Manoel Moura Leite,sugeriu que ele nos levasse junto.
Malas prontas e o Ulisses estava pronto para sua primeira viagem de trem .Prevenida como sou,, preparei lanches,frutas e petisco,pois nosso dinheiro estava curto ,não poderíamos pensar em comer no trem .
Bem vestidinho,com seu conjunto safari,o Ulisses não continha sua animação.E, logo as 8h tomamos o trem.
Nossas passagens eram da classe econômica,os bancos eram de madeira ,duros como eles só!
Para meu filho era o céu! De imediato se pôs a andar pelo vagão todo garboso!Quando o trem partiu ele assustou um pouco,mas logo voltou a se animar.
O vagão foi ficando praticamente vazio a medida que se distanciava de nossa cidade e isso foi muito bom,pois assim pude arrumar uma cama no banco de frente ao nosso,com mantas e agasalhos ,para que o Ulisses dormisse .
A viagem foi pouco confortável,mas procurei mostrar o trem todo para meu filho,mostrar por onde passávamos e tenho certeza que para ele foi um grande presente!
Ficamos confinados no trem por 8 horas,quando então chegamos em Presidente Prudente,uma cidade de porte grande que eu já visitara outras vezes com meus pais.
Os olhinhos de meu filho brilham de contentamento ao ver tantos carros,pessoas andando apressadas.
Fomos de imediato para o Hotel,onde tínhamos vagas já reservada.A dona do hotel nos recebeu,logo ofereceu um lanche e alimento para meu Ulisses,que de imediato conquistou a todos pala sua beleza e esperteza.
...........................................................................................................................................................

16 de abr. de 2012

O trem elétrico

 Após  a maria Fumaça ainda tivemos o trem elétrico e o trem a diesel!Eu andei bastante no trem elétrico.
Para que ele pudesse ser implantado foi instalado em toda a malha férrea cabos elétricos aos quais o trem se ligava.Eram trens bonitos e com mais conforto.
Falando em trem você sabia que as maioria das cidades nasceram  graças a chegada do trem no local/?
Por exemplo Avaré, Cerqueira César que nasceu da necessidade de se ter um local para pernoitar.As mercadorias eram trazidas  para o embarque e enquanto aguardavam as pessoas montavam parada.E, assim ao redor da estação foi se formando as cidades.
O trem era de uma importância tal, que por muito tempo a chegada do trem das 20 horas se tornou point para todos .As moças e rapazes colocavam sua melhor roupa e iam esperar o trem na plataforma.
Paquerava-se com as pessoas que estavam no trem,conheço casais que até hoje estão juntos e se conheceram assim.
Eu aproveitava para ganhar dinheiro vendendo aos viajantes doce de leite e requeijão de corte.Muitas dessas mercadorias eram feitas por dona Olga Moura Leite, que mais tarde deu origem a Fabrica de doces de leite Avaré,que nasceu em Cerqueira César com a família Moura Leite ,que ainda é uma família tradicional na cidade.Os prédios das estações  eram tão lindos que se transformaram em local cultural após a desativação  da linha férrea.
Em Cerqueira César abriga a casa do artesão e uma sala de informática com uso gratuíto de computadores pela comunidade.Em Valinhos é o museu Haroldo Pazinatto,um amigo fotógrafo valinhense com o qual tive a honrar de conviver e de desfrutar de sua preciosa amizade!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

14 de abr. de 2012

Como era bom viajar!

A viagem de trem era uma maravilha!Podíamos  ir vendo lugares lindos!Víamos cascatas lindas,cenários ,matas, muitas pessoas aglomeradas esperando a chegada do trem!
O trem era formado pelos vagões puxados pela máquina que era onde ficava a caldeira que era mantida pela queima de madeira.Quem alimentava a caldeira era chamado foguista e oque "dirigia " o trem era o maquinista.
A família Morette,parentes direto  do vô José(eram filhos de sua irmã)eram todos funcionários da Ferrovia,trabalhando com chefe de trem ou de estação e eu usando esse parentesco cheguei até a conhecer o funcionamento da caldeira.Na maquina o calor era infernal e enquanto o foguista alimentava a caldeira,o maquinista cuidava para que a temperatura mantivesse em determinado grau, pois caso contrário poderia explodir.Meus parentes haviam estudado muito para ocupar esse cargo.
Os vagões eram separado uns dos outros por uma espécie de varandinha e dela a gente podia ver os trilhos e as rodas encaixadas neles se movimentando.Havia  porta fechando o vagão nas duas extremidades ,que o mantinha em ligação com os outros vagões.
Em cada estação que a gente parava,enquanto os passageiros entravam , na plataforma as pessoas chegavam até as janelas oferecendo doces,requeijão ,biscoitos e em cada estacão havia uma caixa d'água ,onde se abastecia a caldeira.
Já nas ultimas viagens que fizemos vovó Bárbara ,por estar bem velhinha ,viajou  de carro leito.
Era um vagão com várias cabines nas quais havia uma espécie de beliche onde as pessoas dormiam. Eu não quis dormir lá,achei menos divertido que dormir nos bancos.
Até hoje parece que ouço o apito do trem quando se aproximava das cidades,o puiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii ecoava como uma música e o chique chique ,barulho feito pelo trem fazia parte dessa música.
Que pena que esse seja um transporte tão barato e de difícil desvio ,o que o torna inviável para administradores corruptos !!!!!!!!!!!!!!!!!!

13 de abr. de 2012

Que saudades da Maria-Fumaça!

Antigamente os componentes de uma família estavam sempre se visitando,e assim pelo menos duas vezes no ano minha família saia para viajar, para rever os parentes que moravam em outras cidades ou estado.
As minhas tias e tios de Avaré víamos constantemente,mas as de Botucatu ou Chavantes ou no estado do Paraná,víamos só após a colheita(Até 3 vezes por ano).Recebíamos sempre a visita deles todos,em época diferente.
Eu gostava mesmo era de ir para Botucatu,Chavantes ou para o Paraná.Sabe porque?É que eu ia de Maria -Fumaça!
Nós só viajávamos de primeira classe que tinha os bancos almofadados,na segunda classe os bancos eram de madeira, duros desconfortável e não poderiam ir ao vagão restaurante,tinham que comer no próprio banco.
Toda hora passava alguém vendendo alguma coisa tais como doces,frutas ou petiscos .Eu me deliciava,pois quando meu pai não comprava vovó o fazia.
Após cada estação o chefe do trem passava ticando as passagens,com um objeto que parecia um grampeador.Quem já tinha a passagem ticada pois já estava a tempo no trem tinha que exibi-las.
Durante a viajem para o Paraná,que demorava muito eu corria o trem todo,mexendo com todos!
O mais engraçado era que a gente ficava olhando os locais ,as matas,os animais e tínhamos a sensação que estávamos parados,as coisas é que estavam se movendo!
Na hora das refeiçoes, nos dirigíamos para o vagão restaurante.Havia mesinhas fixas no piso e bancos também.A mesa tinha uma toalha  bonita  combinando com os panos de mão.
Enquanto comíamos íamos observando o cenário que ia se desenrolando diante de diante de nossos olhos!!!!!!
...........................................................................................................

12 de abr. de 2012

Há 65 anos atrás........

Como coloquei no meu perfil vivo intensamente cada momento da minha vida,talvez por isso lembro tão claramente ao falar das coisas do passado,chegando mesmo a sentir as sensações da época.
Isso aconteceu enquanto eu escrevia sobre o colchão de palha,senti o cheirinho da palha,ouvi seu ruído peculiar e sua sensação de maciez.
Revi as vezes em que mamãe tinha pressa em passar roupa e ao agitar bruscamente o ferro de brasas uma fagulha saia e queimava ,fazendo um buraquinho na roupa.
Lembrei-me da fumaça preta que saia da lamparina e do seu cheiro!Vi claramente a festa que fizemos quando da chegada dos lampiões a querosene!Ficávamos livre do cheiro e da fumaça da lamparina e havia ainda uma outra novidade,ele poderia ser pendurado na sala,sua luz aumentada e nós passamos a conversar mais no claro.
Vovó Bárbara que não perdia uma oportunidade foi logo dizendo que essas modernidades eram inimigas dos velhos pois com mais claridade podia-se ver melhor as rugas dos rostos.Todos caiam na risada!
Com a vinda dos lampiões as casas passaram a ter ganchos onde os lampiões eram pendurados.
O que eu achei mais interessante era que a luz do lampião podia ser aumentada ou diminuída ,ficando só um fiozinho de luz!
Bem mais tarde chegaram os lampiões a gás, que no começo foi tido como um perigo para as casas,mas aos poucos foi conquistando a todos chegando a iluminar até ruas!!!!!!!!!!!!!!


11 de abr. de 2012

As dificuldades de uma menina diferente!

Criada até os 8 anos livre,fazendo o que queria,correndo por plantações,matas e rios,tendo por companhia os animais e um negrinho frágil que topava todas as minhas aventuras,ao mudar para a cidade enfrentei muitos problemas.
O espaço era pequeno,os meninos esquisitos,tratavam as meninas como inferiores.O maior espaço que eu possuía era a chácara,onde eu ia todas os dias.
Minha casa ficava entre uma farmácia e um alfaiate,que também era juiz de paz.Logo fiz amizade com seus filhos: a Aurora e seu irmão.
Os sobrinhos do farmacêutico vieram passar uma temporada em sua casa e aí tudo mudou.Os meninos eram como eu ,e passamos a brincar nas árvores  do quintal. Até a Aurora entrou na nossa!Era uma bagunça só!
O mais interessante é que eles falavam o português e eu só falava o italiano.Nos entediamos perfeitamente!
Escalávamos as arvores,nos balançávamos em seus galhos como verdadeiros macacos.
Os amigos dessa época eram o Orlando(que anos depois o reencontrei médico pediatra)o Jacó,a Aurora,o Mario e um outro menino que não lembro o nome.
A tia dos meninos levava lanche para a gente comer em cima das arvores.Foi uma fase muito divertida.
Na escola eu era um acidente pois não falava uma só palavra do português, até que uma alma caridosa resolveu me ensinar o português.Esse anjo era negra com o ébano,mas tinha os mais belos sentimentos que já vi.Essa belezura  ainda hoje é minha amiga,minha irmã de coração: Maria Clarice Francisco.
Somos amigas a quase 60 anos e mesmo distante estamos sempre em contacto.Para meus filhos ele é a tia Clarice que eles tanto amam,para meus netos ela é a tia avó numero1.
Acho que eu e Clarice nos demos bem desde o primeiro instante porque ela também era um bichinho perdida na cidade!!!!!!!!!!!!