5 de abr. de 2012

A decepção de uma educadora!

Na semana passada fui procurada por uma grande amiga desesperada pois sua bisneta,cursando a terceira série não queria mais ir a escola.Quando se aproximava a hora de ir para a aula ela começava a chorar.
A minha primeira orientação foi para que a mãe ,junto com a professora averiguasse o que estava acontecendo.
Na terça feira ela veio a minha casa para que eu sondasse o que estava acontecendo pois nada fora encontrado.
Ela é uma menina esperta.bonita,muito bem vestida e parece que gosta de mim.Trazia nos braços a apostila da escola,por sinal um ótimo material didático,que se devidamente explorado daria grandes frutos!
Pedi a ela que lesse a lição, que supostamente ela teria vinda fazer comigo(essa foi a desculpa que sua mãe deia ler.u para que ela visse ter comigo)
Fiquei horrorizada quando ela disse que não sabia ler.Passei então para a escrita.
Tremia nas bases quando observei que ela não sabia nem o traçado do a.Passou diante de mim tudo que minha geração passou lutando por uma escola pública de valor.
Lembrei as nossas andanças no lombo de cavalo para chegar até as mais distantes escolas rurais e lá ter em uma só sala as quatro séries com um currículo a ser cumprido!
Passou pela minha mente os 120 dias de greve por uma escola mais digna!Lembrei-me da cavalaria que o Quércia deu ordem para passar por cima de nós professores que exigiamos  atenção e respeito pela escola Pública!
Será que tudo que fizemos foi em vão?Será que escola Pública hoje é sinônimo de descaso?Estou me esforçando para ainda ter esperanças!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

4 de abr. de 2012

210 dias dos meus Meladinhos!

Hoje 2 de abril  meus amados Meladinhos fazem 7 meses.Estão enormes e muito safados!Tomaram a ultima injeção do tratamento do fígado,mas nem parece que estiveram doentes.
Parecem outros cães e não os que chegaram no dia 2/09/20010.Hoje estão completamente diferentes uns dos outros;eles que ninguém consegui distinguir um do outro.
O Chiquinho é o único que conserva as caracteristica de quando  fez 1 més.Continua com os pelos longos,da cor da mãe,mas com a cara da Mel,sua avó paterna.
Ele é um cão que não late,mas é muito alegre e adora brincar com os irmãos.Bebe muita água e faz um barulhão para isso.
O Manezinho foi que mais surpreendeu.Se transformou em um lindo cachorro,mas é muito ciumento,as atenções devem ser só para ele.É muito briguento e bate até nos pais,Está recebendo uma bela pelagem.
O Paulinho que era o mais bonito hoje está bem feinho,tem os olhos esquisitos ,seus pelos ainda não estão totalmente recuperado.Acho que de todos ele foi o que mais sentiu os efeitos da doença!
O Zezinho que era a cara do pai ,hoje tem um orelhão de dar gosto.Ele cresceu muito,apesar de continuar o menor da ninhada.
Foram esses cachorrinhos que ao nascer me deram ânimo para voltar a luta e foram eles que me fizeram vencer as dores e limitações e assumir novamente minha casa.
Quando os vejo forte,traquinas,brincalhões a gradeço ao Pai por ter colocado-os em minha vida!Eles na verdade foram os anjos que o Pai enviou para que eu renascesse!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


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2 de abr. de 2012

Minhas primeiras lembranças!

Consigo lembrar fragmentos isolados a partir dos 3 anos de idade.Vejo-me brincando de cavalinho montada nos ombros de meu irmão.Ele pulava brincando comigo e minha mãe ficava brava!
Lembro dos seus cabelos encaracolados nos quais eu passava os dedos com se fosse pente.
É claro em minha memória as cruzes que ele fazia,de qualquer material ou tamanho e de sua farra alimentando as pombas.
Da madrugada do dia 6 de   julho de 1947 lembro de ser acordada por todos e que assustada comecei a chorar,enquanto todos saiam correndo do meu quarto e vovó chorando me acalma e me faz dormir de novo.
Quando acordei corri para o quarto dos meus pais mas não havia ninguém.corro para o quarto do meu irmão e lá vejo vovó Bárbara segurando uma roupa de meu irmão  ,toda vestida de preto e chorando muito.
Ao me ver ela corre para mim me abraça e diz : minha menina venha se vestir,alimentar que depois que a vovó te contar uma coisa muito importante,nós vamos sair.
Depois de eu estar vestida para sair ela, pegando no colo e com todo seu carinho,me avisou que meu irmão acabara de cumpriu sua missão na terra e que havia voltado  para o pai.Lembro que perguntei se ele vinha brincar comigo e ela respondeu que ele me amava muito e que estaria sempre comigo, mesmo se eu não o visse.
Na minha inocência logo aceitei sua explicação!Nós fomos ao velório e enterro de meu irmão!
Se vi o caixão com o corpo isso eu não sei. pois não há nada registrado na minha memória.
Como é bom poder lembrar de fatos importantes da minha história!

31 de mar. de 2012

As doces do papai!

Desde que me conheci por gente vi meu pai ir a tuia pegar um saco de amendoim trazer para casa,escolher, por nas assadeiras e levar ao forno de barro que ficava na porta da cozinha de casa.
O forno fora ele mesmo que o fizera com tijolos e barro,tinha uma chaminé que ajudava controlar a temperatura do forno.No dia que ia ser usado ,acendia um fogo dentro dele ,para aquecer.Quando a lenha ficava em brasa estava pronto para uso. Experimentava a temperatura colocando uma palha dentro dele.
De acordo com o tempo que ela torrava, se colocava o assado .
O biscoito de polvilho era o primeiro a ser colocado para assar,pois precisava de forno bem quente,O amendoim era colocado em forno mais frio com a chaminé aberta.
Logo o cheiro do amendoim torrado invada a casa!Isso demandava um bom tempo de meu pai abrindo o forno  e remexendo os grãos.

Amendoim torrado era hora de descascar.Essa era a tarefa que eu mais curtia pois apos tirar a casca ele era peneira ,e eu ficava embaixo para receber ,morrendo de rir recebendo na cabeça  as cascas que caiam!Era uma farra só!
Depois papai moia os grãos para o pé de moleque e pilava no pilão para a paçoquinha.Dai ele ia para o fogão e punha numa enorme panela para cozinhar,ate´dar o ponto.Bem cedo eu aprendi com o meu pai o ponto dos
doces,que me foi muito útil a vida toda
Eu curtia muito ver a satisfação com que papai amorosamente fazia os doces!
A hora de virar na forma o que estava no ponto era a pior hora´pois eu  tinha até que sair de perto! Depois era só cortar e esperar secar!
A paçoquinha era mais fácil,era só pilar com açúcar na dose e por  nas formas.Daí era só sair para vender!

29 de mar. de 2012

A Ressurreição!

O  tempo passou rápido e eu já estava fazendo um ano,tudo havia mudado!
Os esforços de todos havia conseguido salvar as fazendas,mantendo os colonos!Onze meses separava o meu aniversário da perda total de todas as culturas das fazendas de meu pai, pela chuva de granizo!
Aos poucos as coisas foram se ajeitando .O gado recebendo uma ração feita com feno, sal grosso.milho,abóbora ficou forte,dando muito leite e nem sentiu a falta de pastagem.
Os porcos foram tratados com a  lavagem que o retireiro passava pegando nas casas em Avaré e na Barra Grande.
Os cavalos estavam lindos e fortes.A criação de cabrita havia aumentado.
Como premio pelo esforço as casa dos colonos havia sido pintada.
Os campos estavam verdejantes, as culturas estavam,como havia dito a vovó,produzindo mais.
O repeito dos colonos para com a minha família agora era muito maior ainda.
As mulheres animadas não deixaram de fazer os doces e queijos nunca mais, só que agora era em regime de meeiras.Papai entrava com os gastos e elas com o trabalho,o lucro era dividido.
Papai só parou de fazer o pé de moleque e a paçoca quando nós mudamos para a cidade.
O que mais demorou para produzir foi o café,mas quando deu, carregou tanto que se tornou necessário contratar mais empregados.
O que minha família passou,demonstra que com fé,união e muito trabalho todas as dificuldades são
VENCIDAS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

28 de mar. de 2012

O trabalho árduo de todos!

Dois dias depois não havia um só arbusto verde, somente as mangueiras teimavam em manter as folhas escurecida pelo granizo!Ainda era possível encontrar montes de pedras de gelo!De repente uma boa notícia, 4 vacas haviam dado cria!Teríamos mais leite na Fazenda.Meu pai aceitou o acontecimento como um sinal que valia a pena tentar salvar as fazendas e manter os colonos!
Naquele dia mesmo, todos se reuniram para juntos acharem uma saída!Vovó Bárbara começou a reunião falando da sua experiência com a neve,na sua terra, e afirmou que assim como o gelo destroem as plantações,também mata tudo que há de mau na terra .contou que o período que se segue a devassa é um período de muita fartura,pois a terra limpa dá frutos fabulosos.A terra se recupera rapidamente,basta plantar e cuidar que rapidamente tudo volta ao normal.
Dizem que ela foi a fada a madrinha que colocou a fé e  a esperança no coração de todos.
Partiu dos colonos a ideia de diminuir o leite dado a cada família e começarem a fazer queijo para vender.
Papai disse que poderia fazer paçoca e pé de moleque e com ajuda de um colono poderia vender.(a colheita do amendoim tinha sido farta).Nessa noite todos animadamente planejaram o que e como iam fazer para conseguirem manter as fazendas e seus habitantes, até que elas voltassem a produzir.
Foram formadas várias frente de trabalho: os que iam lavrar a terra ,preparando para novos plantios,os que cuidariam da alimentação dos animais(vaca,cavalos,porcos,cabritos e galinhas,patos,marrecos,os que tentariam vender oque se produzissem,os que produziriam doces,derivados do leite ,comidas.
As mulheres sob a orientação de minha mãe e avó passaram a fazer durante a semana queijos,requeijão de corte,ricota,bolos,doces variados e no final da semana os homens saiam para vender em todas as cidades próximas.
Papai alem de ir trabalhar na roça ,tirava um dia para fazer sua famosa paçoquinha e pé de moleque.
Comentavam comigo,muito tempo depois ,que pareciam formiguinhas trabalhando como doidos para se manterem
Eu gostaria muito de ter participado desse desafio!!!!!!!!!!
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27 de mar. de 2012

A destruição!

Enquanto as  pedras que caiam eram pequenas,todos retornaram para casa.Conta-se que papai prevendo oque estava  para  acontecer ficou taciturno,cabisbaixo,andando de um  lado para outro
Durante toda a noite caíram pedras enormes,e o desespero do meu pai só crescia, ante vendo o que as pedras de gelo fariam em todas as plantações!
Foi a pior noite da família,todos nervosos pois sabiam que se as plantações fossem destruídas teriam que arcar com o sustento dos colonos que eram mais de 10 famílias.
A chuva de granizo só para ao amanhecer.Como sabemos, no verão clareia mais cedo,e as primeiras luzes do novo dia,todos se põe de pé.
Papai imediatamente,antes do café da manhã,tenta abrir a porta da sala,tudo inútil,as pedras de gelo bloqueavam a porta.Imediatamente aparecem colonos,que estavam muito nervosos e com pás ajudam abrir a porta.
O retireiro trazia uma boa notícia: nenhuma vaca ,touro ou bezerro havia morrido!Todos haviam se escondido nos galpões.
Um lençol denso de pedras de gelo cobria toda a propriedade!O sol preguiçosamente ia nascendo e sua luz ao bater nas pedras as transformavam em brilhantes reluzentes.No meio do oceano branco se via as copas das arvores
O sol veio forte e com seu calor tudo que havia de verde foi queimado ..
Só retaram as mudas que se encontravam no galpão,tudo havia morrido queimado pelas pedras de gelo.A Fazenda Campo Redondo fora a mais castigada.Eu cheguei a ver e ler a reportagem  que a Revista O Cruzeiro fez com papai,onde ele contava que nada ficara vivo em suas plantações.Na capa trazia meu pai tirando o gelo de volta de casa, meu irmão ao lado de mamãe que me trazia ao colo!Por um bom tempo ainda vi esta revista em casa,mas depois ela despareceu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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