2 de abr. de 2012

Minhas primeiras lembranças!

Consigo lembrar fragmentos isolados a partir dos 3 anos de idade.Vejo-me brincando de cavalinho montada nos ombros de meu irmão.Ele pulava brincando comigo e minha mãe ficava brava!
Lembro dos seus cabelos encaracolados nos quais eu passava os dedos com se fosse pente.
É claro em minha memória as cruzes que ele fazia,de qualquer material ou tamanho e de sua farra alimentando as pombas.
Da madrugada do dia 6 de   julho de 1947 lembro de ser acordada por todos e que assustada comecei a chorar,enquanto todos saiam correndo do meu quarto e vovó chorando me acalma e me faz dormir de novo.
Quando acordei corri para o quarto dos meus pais mas não havia ninguém.corro para o quarto do meu irmão e lá vejo vovó Bárbara segurando uma roupa de meu irmão  ,toda vestida de preto e chorando muito.
Ao me ver ela corre para mim me abraça e diz : minha menina venha se vestir,alimentar que depois que a vovó te contar uma coisa muito importante,nós vamos sair.
Depois de eu estar vestida para sair ela, pegando no colo e com todo seu carinho,me avisou que meu irmão acabara de cumpriu sua missão na terra e que havia voltado  para o pai.Lembro que perguntei se ele vinha brincar comigo e ela respondeu que ele me amava muito e que estaria sempre comigo, mesmo se eu não o visse.
Na minha inocência logo aceitei sua explicação!Nós fomos ao velório e enterro de meu irmão!
Se vi o caixão com o corpo isso eu não sei. pois não há nada registrado na minha memória.
Como é bom poder lembrar de fatos importantes da minha história!

31 de mar. de 2012

As doces do papai!

Desde que me conheci por gente vi meu pai ir a tuia pegar um saco de amendoim trazer para casa,escolher, por nas assadeiras e levar ao forno de barro que ficava na porta da cozinha de casa.
O forno fora ele mesmo que o fizera com tijolos e barro,tinha uma chaminé que ajudava controlar a temperatura do forno.No dia que ia ser usado ,acendia um fogo dentro dele ,para aquecer.Quando a lenha ficava em brasa estava pronto para uso. Experimentava a temperatura colocando uma palha dentro dele.
De acordo com o tempo que ela torrava, se colocava o assado .
O biscoito de polvilho era o primeiro a ser colocado para assar,pois precisava de forno bem quente,O amendoim era colocado em forno mais frio com a chaminé aberta.
Logo o cheiro do amendoim torrado invada a casa!Isso demandava um bom tempo de meu pai abrindo o forno  e remexendo os grãos.

Amendoim torrado era hora de descascar.Essa era a tarefa que eu mais curtia pois apos tirar a casca ele era peneira ,e eu ficava embaixo para receber ,morrendo de rir recebendo na cabeça  as cascas que caiam!Era uma farra só!
Depois papai moia os grãos para o pé de moleque e pilava no pilão para a paçoquinha.Dai ele ia para o fogão e punha numa enorme panela para cozinhar,ate´dar o ponto.Bem cedo eu aprendi com o meu pai o ponto dos
doces,que me foi muito útil a vida toda
Eu curtia muito ver a satisfação com que papai amorosamente fazia os doces!
A hora de virar na forma o que estava no ponto era a pior hora´pois eu  tinha até que sair de perto! Depois era só cortar e esperar secar!
A paçoquinha era mais fácil,era só pilar com açúcar na dose e por  nas formas.Daí era só sair para vender!

29 de mar. de 2012

A Ressurreição!

O  tempo passou rápido e eu já estava fazendo um ano,tudo havia mudado!
Os esforços de todos havia conseguido salvar as fazendas,mantendo os colonos!Onze meses separava o meu aniversário da perda total de todas as culturas das fazendas de meu pai, pela chuva de granizo!
Aos poucos as coisas foram se ajeitando .O gado recebendo uma ração feita com feno, sal grosso.milho,abóbora ficou forte,dando muito leite e nem sentiu a falta de pastagem.
Os porcos foram tratados com a  lavagem que o retireiro passava pegando nas casas em Avaré e na Barra Grande.
Os cavalos estavam lindos e fortes.A criação de cabrita havia aumentado.
Como premio pelo esforço as casa dos colonos havia sido pintada.
Os campos estavam verdejantes, as culturas estavam,como havia dito a vovó,produzindo mais.
O repeito dos colonos para com a minha família agora era muito maior ainda.
As mulheres animadas não deixaram de fazer os doces e queijos nunca mais, só que agora era em regime de meeiras.Papai entrava com os gastos e elas com o trabalho,o lucro era dividido.
Papai só parou de fazer o pé de moleque e a paçoca quando nós mudamos para a cidade.
O que mais demorou para produzir foi o café,mas quando deu, carregou tanto que se tornou necessário contratar mais empregados.
O que minha família passou,demonstra que com fé,união e muito trabalho todas as dificuldades são
VENCIDAS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

28 de mar. de 2012

O trabalho árduo de todos!

Dois dias depois não havia um só arbusto verde, somente as mangueiras teimavam em manter as folhas escurecida pelo granizo!Ainda era possível encontrar montes de pedras de gelo!De repente uma boa notícia, 4 vacas haviam dado cria!Teríamos mais leite na Fazenda.Meu pai aceitou o acontecimento como um sinal que valia a pena tentar salvar as fazendas e manter os colonos!
Naquele dia mesmo, todos se reuniram para juntos acharem uma saída!Vovó Bárbara começou a reunião falando da sua experiência com a neve,na sua terra, e afirmou que assim como o gelo destroem as plantações,também mata tudo que há de mau na terra .contou que o período que se segue a devassa é um período de muita fartura,pois a terra limpa dá frutos fabulosos.A terra se recupera rapidamente,basta plantar e cuidar que rapidamente tudo volta ao normal.
Dizem que ela foi a fada a madrinha que colocou a fé e  a esperança no coração de todos.
Partiu dos colonos a ideia de diminuir o leite dado a cada família e começarem a fazer queijo para vender.
Papai disse que poderia fazer paçoca e pé de moleque e com ajuda de um colono poderia vender.(a colheita do amendoim tinha sido farta).Nessa noite todos animadamente planejaram o que e como iam fazer para conseguirem manter as fazendas e seus habitantes, até que elas voltassem a produzir.
Foram formadas várias frente de trabalho: os que iam lavrar a terra ,preparando para novos plantios,os que cuidariam da alimentação dos animais(vaca,cavalos,porcos,cabritos e galinhas,patos,marrecos,os que tentariam vender oque se produzissem,os que produziriam doces,derivados do leite ,comidas.
As mulheres sob a orientação de minha mãe e avó passaram a fazer durante a semana queijos,requeijão de corte,ricota,bolos,doces variados e no final da semana os homens saiam para vender em todas as cidades próximas.
Papai alem de ir trabalhar na roça ,tirava um dia para fazer sua famosa paçoquinha e pé de moleque.
Comentavam comigo,muito tempo depois ,que pareciam formiguinhas trabalhando como doidos para se manterem
Eu gostaria muito de ter participado desse desafio!!!!!!!!!!
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27 de mar. de 2012

A destruição!

Enquanto as  pedras que caiam eram pequenas,todos retornaram para casa.Conta-se que papai prevendo oque estava  para  acontecer ficou taciturno,cabisbaixo,andando de um  lado para outro
Durante toda a noite caíram pedras enormes,e o desespero do meu pai só crescia, ante vendo o que as pedras de gelo fariam em todas as plantações!
Foi a pior noite da família,todos nervosos pois sabiam que se as plantações fossem destruídas teriam que arcar com o sustento dos colonos que eram mais de 10 famílias.
A chuva de granizo só para ao amanhecer.Como sabemos, no verão clareia mais cedo,e as primeiras luzes do novo dia,todos se põe de pé.
Papai imediatamente,antes do café da manhã,tenta abrir a porta da sala,tudo inútil,as pedras de gelo bloqueavam a porta.Imediatamente aparecem colonos,que estavam muito nervosos e com pás ajudam abrir a porta.
O retireiro trazia uma boa notícia: nenhuma vaca ,touro ou bezerro havia morrido!Todos haviam se escondido nos galpões.
Um lençol denso de pedras de gelo cobria toda a propriedade!O sol preguiçosamente ia nascendo e sua luz ao bater nas pedras as transformavam em brilhantes reluzentes.No meio do oceano branco se via as copas das arvores
O sol veio forte e com seu calor tudo que havia de verde foi queimado ..
Só retaram as mudas que se encontravam no galpão,tudo havia morrido queimado pelas pedras de gelo.A Fazenda Campo Redondo fora a mais castigada.Eu cheguei a ver e ler a reportagem  que a Revista O Cruzeiro fez com papai,onde ele contava que nada ficara vivo em suas plantações.Na capa trazia meu pai tirando o gelo de volta de casa, meu irmão ao lado de mamãe que me trazia ao colo!Por um bom tempo ainda vi esta revista em casa,mas depois ela despareceu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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26 de mar. de 2012

O granizo de janeiro de 1945!

Eu ainda nem sabia onde estava,quando a região onde eu morava foi assolada por uma forte chuva de granizo!
Tudo que vou lhes contar,eu não vi e se vi não entendi,mas essa história faz parte da minha família,e me foi passada por eles.
Janeiro de 1945 estava muito quente,e a alguns dias não chovia.Eu ainda não tinha um mês e vovó ia trabalhar no lugar de minha mãe que ainda estava de "resguardo".
Como a tarde estava muito quente, mamãe,sabendo que todos estavam trabalhando  no cafezal próximo a nossa casa decidiu ir ver como estava indo o serviço e assim poderia me apresentar a um pé de café, que segundo ela seria o meu futuro!
Como havia algumas nuvens e ainda estava de resguardo pediu que Natália atrelasse a charrete e a acompanhasse.(Natália estava fazendo companhia para minha mãe,durante a dieta.)
Todos nos receberam com muita alegria e eu passei de mão  em mão.Dizia vovó que meus olhinhos brilharam quando me mostraram  pé de café !Meu avô José comentava que foi aí que nasceu meu amor pela terra, pois nenhum neto seu havia ido a roça antes de 3 meses eu fora a única!
De repente o tempo fechou pegando todos de surpresa e começou a chover granizo!Todos se apavoraram pensando em minha mãe e eu.Natália, negra experiente agasalha mamãe e eu, nos colocando debaixo do pé de café mais frondoso,enquanto foi pegar a charrete.
Dizia mamãe que realmente o pé de café nos proteger e assim pudemos voltar sã e salvas para casa,enquanto as pedras continuavam a cair!!!!!!!!!!!!!!..............................................................................................

O respeito pela terra!

Eu sempre me refino ao lugar onde nasci e vivi  a minha infância como "o sítio",mas na verdade era muita terra,mas meu pai acreditava que a terra era sempre terra independente do nome que se dava: chácara,sítio ou fazenda.
O homem dessa época  acreditava que a terra era o bem mais precioso e eles a lavravam como se tivesse acariciando-a.
Meu pai tinha várias famílias de colonos,que viviam próximos a nossa casa e eram tratados com todo repeito,e consideração!
Meus pais eram muito amados por eles.Dentre eles havia  a família da  Natália que quando eu nasci havia acabo de dar a luz o um menino,no dia em que nasci ,deu menos mama para seu filho para reservar para mim.
Foi aí que mostrei a que tinha vindo ,dispensando o seu leite,aguardando o da minha mãe.
Seu filho, um negrinho lindo, foi meu primeiro grande amigo me acompanhando por muitos anos em todas minhas travessuras pelo sítio.
As fazendas de papai eram exclusivamente cafeeiras,havendo ainda o plantio de algodão e banana.
A banana era colhida  verde e vendida em sua totalidade para uma fábrica nova de esmalte, a Bozzano.
De toda terra que possuía papai reservada uma parte bem grande para que os colonos ,em regime de meeiros,plantassem alimentos para todos.
Papai entrava com todos os custos e na época da colheita tudo era dividido com todas as famílias,inclusive a nossa.Na verdade quem mais trabalhava era meu pai ,organizando o trabalho de todos,distribuindo as tarefas,adquirindo sementes ou mudas e lavrando a terra com os colonos!
Cada pessoa que via meu pai lavrando a terra percebia como era grande o amor e gratidão que ele tinha pela terra!!!!!!!!1