27 de mar. de 2012

A destruição!

Enquanto as  pedras que caiam eram pequenas,todos retornaram para casa.Conta-se que papai prevendo oque estava  para  acontecer ficou taciturno,cabisbaixo,andando de um  lado para outro
Durante toda a noite caíram pedras enormes,e o desespero do meu pai só crescia, ante vendo o que as pedras de gelo fariam em todas as plantações!
Foi a pior noite da família,todos nervosos pois sabiam que se as plantações fossem destruídas teriam que arcar com o sustento dos colonos que eram mais de 10 famílias.
A chuva de granizo só para ao amanhecer.Como sabemos, no verão clareia mais cedo,e as primeiras luzes do novo dia,todos se põe de pé.
Papai imediatamente,antes do café da manhã,tenta abrir a porta da sala,tudo inútil,as pedras de gelo bloqueavam a porta.Imediatamente aparecem colonos,que estavam muito nervosos e com pás ajudam abrir a porta.
O retireiro trazia uma boa notícia: nenhuma vaca ,touro ou bezerro havia morrido!Todos haviam se escondido nos galpões.
Um lençol denso de pedras de gelo cobria toda a propriedade!O sol preguiçosamente ia nascendo e sua luz ao bater nas pedras as transformavam em brilhantes reluzentes.No meio do oceano branco se via as copas das arvores
O sol veio forte e com seu calor tudo que havia de verde foi queimado ..
Só retaram as mudas que se encontravam no galpão,tudo havia morrido queimado pelas pedras de gelo.A Fazenda Campo Redondo fora a mais castigada.Eu cheguei a ver e ler a reportagem  que a Revista O Cruzeiro fez com papai,onde ele contava que nada ficara vivo em suas plantações.Na capa trazia meu pai tirando o gelo de volta de casa, meu irmão ao lado de mamãe que me trazia ao colo!Por um bom tempo ainda vi esta revista em casa,mas depois ela despareceu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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26 de mar. de 2012

O granizo de janeiro de 1945!

Eu ainda nem sabia onde estava,quando a região onde eu morava foi assolada por uma forte chuva de granizo!
Tudo que vou lhes contar,eu não vi e se vi não entendi,mas essa história faz parte da minha família,e me foi passada por eles.
Janeiro de 1945 estava muito quente,e a alguns dias não chovia.Eu ainda não tinha um mês e vovó ia trabalhar no lugar de minha mãe que ainda estava de "resguardo".
Como a tarde estava muito quente, mamãe,sabendo que todos estavam trabalhando  no cafezal próximo a nossa casa decidiu ir ver como estava indo o serviço e assim poderia me apresentar a um pé de café, que segundo ela seria o meu futuro!
Como havia algumas nuvens e ainda estava de resguardo pediu que Natália atrelasse a charrete e a acompanhasse.(Natália estava fazendo companhia para minha mãe,durante a dieta.)
Todos nos receberam com muita alegria e eu passei de mão  em mão.Dizia vovó que meus olhinhos brilharam quando me mostraram  pé de café !Meu avô José comentava que foi aí que nasceu meu amor pela terra, pois nenhum neto seu havia ido a roça antes de 3 meses eu fora a única!
De repente o tempo fechou pegando todos de surpresa e começou a chover granizo!Todos se apavoraram pensando em minha mãe e eu.Natália, negra experiente agasalha mamãe e eu, nos colocando debaixo do pé de café mais frondoso,enquanto foi pegar a charrete.
Dizia mamãe que realmente o pé de café nos proteger e assim pudemos voltar sã e salvas para casa,enquanto as pedras continuavam a cair!!!!!!!!!!!!!!..............................................................................................

O respeito pela terra!

Eu sempre me refino ao lugar onde nasci e vivi  a minha infância como "o sítio",mas na verdade era muita terra,mas meu pai acreditava que a terra era sempre terra independente do nome que se dava: chácara,sítio ou fazenda.
O homem dessa época  acreditava que a terra era o bem mais precioso e eles a lavravam como se tivesse acariciando-a.
Meu pai tinha várias famílias de colonos,que viviam próximos a nossa casa e eram tratados com todo repeito,e consideração!
Meus pais eram muito amados por eles.Dentre eles havia  a família da  Natália que quando eu nasci havia acabo de dar a luz o um menino,no dia em que nasci ,deu menos mama para seu filho para reservar para mim.
Foi aí que mostrei a que tinha vindo ,dispensando o seu leite,aguardando o da minha mãe.
Seu filho, um negrinho lindo, foi meu primeiro grande amigo me acompanhando por muitos anos em todas minhas travessuras pelo sítio.
As fazendas de papai eram exclusivamente cafeeiras,havendo ainda o plantio de algodão e banana.
A banana era colhida  verde e vendida em sua totalidade para uma fábrica nova de esmalte, a Bozzano.
De toda terra que possuía papai reservada uma parte bem grande para que os colonos ,em regime de meeiros,plantassem alimentos para todos.
Papai entrava com todos os custos e na época da colheita tudo era dividido com todas as famílias,inclusive a nossa.Na verdade quem mais trabalhava era meu pai ,organizando o trabalho de todos,distribuindo as tarefas,adquirindo sementes ou mudas e lavrando a terra com os colonos!
Cada pessoa que via meu pai lavrando a terra percebia como era grande o amor e gratidão que ele tinha pela terra!!!!!!!!1

24 de mar. de 2012

Dia dedicado ao teatro!

Neste dia em que se comemora o "Dia do Teatro,nada mais justo do que homenagear André Luiz ,meu filho mais novo que fez do teatro sua paixão!
Desde muito pequeno era extrovertido,risonho,gostava muito de falar e logo cedo demonstrou tendencia para as  artes.
Logo que mudei para Valinhos,quando ele tinha 4 anos consegui matricula-lo no Conselho Municipal de Cultura,onde ele fez teatro com o professor Jô e desenho e pintura com José Robert Mícoli por toda a infância até 11anos ,quando passou a fazer parte do Núcleo de Cinema de Animação de Campinas,com o Wal e o Maurício.
Aos 13 anos foi representar o Brasil ,com jurado,num Festival de cinema para adolescente, em Paris.
Fez teatro  na Casa de chocolate em Campinas e culminou seus estudos fazendo ARTES CÊNICAS  na UNICAMP.
Se dedicou a arte de representar viajando o Brasil todo e até mesmo Portugal e Espanha,quando percebeu que estava perdendo a melhor parte da vida de seu filho: a infância.
Fez mais algumas peças,mas logo passou a se dedicar exclusivamente a iluminar  e sonorizar peças teatrais e show, conseguindo assim se dedicar mais  a sua esposa e filho.
Hoje beirando os 40 anos presta serviço a prefeituras,grupos de teatro e de show.
Ele está feliz pois conseguiu estar no  teatro  fazendo iluminação e som e ainda dar a devida atenção a sua família!!!!!!!!!!!!!

23 de mar. de 2012

O dia de fazer farinha

Na roça nós comíamos, no geral, só o que plantávamos .Se plantava de tudo para consumo de nossa família e dos colonos,que residiam no sítio.Alem  de  plantar tinham ,principalmente os grãos que ser beneficiados,aí entrava em ação o monjolo do qual falei ontem. Tudo era feito no próprio sítio.
Aos poucos irei relatando como tudo acontecia,Hoje  quero lhes contar do dia em se combinava fazer as farinhas
O milho era plantado,colhido e bem escolhido.Os homens traziam da roça e levavam até a casinha do monjolo,onde havia uma enorme chapa.Todo o serviço pesado era feito pelos homens ,as mulheres secavam e torravam a farinha,colocando fogo embaixo da chapa.Elas se revesavam no mexer a farinha,precisava mexer constantemente.
Eu não lembro as etapas para se fazer a farinha, lembro que os homens colavam o milho em um saco branco e havia uma água corrente,desviada do rio onde eles eram depositados.Lá eles ficavam dias para depois as mulheres virem fazer a farinha.
A mandioca chegava suja ,era descascada.lavada.As mulheres a ralavam ,punham escorrer num saco branco.Daí elas tiravam o polvilho doce e deixando uns dias, o polvilho azedo.Esse mesmo método era usado para  se fazer a fécula de batata doce.
Enquanto as mulheres trabalhavam nós , as crianças brincávamos perto do monjolo.Só corríamos quando sentíamos o cheiro do biju assado!Era uma grande festa.
Nunca  mais comi um biju tão saboroso!

22 de mar. de 2012

Como a água era importante para nós!

Hoje dia da água lembrei-me de como nós vivíamos e nos juntávamos ao redor do rio. No sítio as casas eram construídas bem próxima ao rio. Dependíamos dele para tudo.As tábuas de lavar roupa era colocadas bem na beirada na margens.Não se desmatava as margens dos rios pois intuitivamente o homem sabia que elas protegiam o leito do rio.A agua era límpida,podíamos ver os peixes nadando.
Próximo onde eu morava havia muitas minas,de onde retirávamos a água para beber.No geral as minas ficavam cercada por vegetação e meu pai mantinha muito limpo a nascente,e mantendo as plantas ao seu redor.
Não se permitia pisar ou nadar onde a água brotava da terra.Foi usando uma mina que ficava um pouco mais elevada que minha casa que papai,inteligente como ele só,usando uma taquara especial conseguiu levar água até a cozinha de casa .
Foi um sucesso!Vinha gente de toda parte para ver o que meu pai havia feito!Para evitar desperdício papai colocou na ponta da taquara que ficava em casa, uma rolha que era tirada quando se ia usar.
Ao lado do rio havia o monjolo movido a água que era usado para fazer as farinhas de milho,de mandioca e o delicioso BIJU! Até hoje no silencio da noite tenho a impressão de ouvir a batida do monjolo!
A roda d'água era como motor das bombas de água de hoje!
Onde o rio alagava nas enchentes se plantava o arroz da água, que mataria a fome de todos .
Os sitiantes respeitavam as águas pois dependiam dela para viver, mas hoje o homem se julga tão auto suficiente que resolveu destruir a sua maior fonte de vida!!!!!!!!!!!!!!!

20 de mar. de 2012

Artesanato

Ontem Dia de São José,foi o dia dedicado aos artesões! Fiquei a imaginar que tudo ,antes da era industrial era feito a mão .
Veio a memória os lindos móveis feito pelo tio Guerino,como eram lindos,bem feitos!Que artesão fabuloso ele era!
As lembranças não param por ai: lembrei-me dos objetos que meu pai fazia de taquara,eram balaios, cestos,peneiras para se passar o feijão e sua facilidade em transformar pedaços de madeiras em objetos.Hoje se estuda muito para se fazer uma escultura e meu pai em minutos só usando se canivete dava vida a um bicho,um navio,um avião,frutas..............
O que se dizer da facilidade que vovó Rubina tinha em transformar roupas velhas em lindos acolchoados que eram admirados por todos.
A beleza dos bordados de mamãe era conhecida e admirada por todos.Ela era mestre na arte de bordar!
Imagine se hoje vocês conhecessem uma italiana sem o olho direito e que fizesse maravilhas com agulhas,tenho certeza que procuraria levá-la a TV.Vovó Bárbara só com um olho foi a maior artesã que conheci.Ela conseguia transformar fios retirados das taquaras em lindas toalhas,cortinas e colchas.
Suas mãos pareciam uma máquina transformando fios em objetos de adorno ou de uso pessoal.
Se eu fosse falar sobre todos os artesões que passam pela minha vida,este blogger seria pequeno,pois sou anterior ao BUM da Industrialização!Quando nasci deitei em um berço feito a mão,quando aprendi a sentar usei uma cadeira  feita a mão com acento tecido com taboa.Eu andava de carroça que era construída a mão.
Resumindo tudo que me cercava tinha sido feito, quase sempre, pelas mãos de meus parentes!!!!!!!!!