23 de mar. de 2012

O dia de fazer farinha

Na roça nós comíamos, no geral, só o que plantávamos .Se plantava de tudo para consumo de nossa família e dos colonos,que residiam no sítio.Alem  de  plantar tinham ,principalmente os grãos que ser beneficiados,aí entrava em ação o monjolo do qual falei ontem. Tudo era feito no próprio sítio.
Aos poucos irei relatando como tudo acontecia,Hoje  quero lhes contar do dia em se combinava fazer as farinhas
O milho era plantado,colhido e bem escolhido.Os homens traziam da roça e levavam até a casinha do monjolo,onde havia uma enorme chapa.Todo o serviço pesado era feito pelos homens ,as mulheres secavam e torravam a farinha,colocando fogo embaixo da chapa.Elas se revesavam no mexer a farinha,precisava mexer constantemente.
Eu não lembro as etapas para se fazer a farinha, lembro que os homens colavam o milho em um saco branco e havia uma água corrente,desviada do rio onde eles eram depositados.Lá eles ficavam dias para depois as mulheres virem fazer a farinha.
A mandioca chegava suja ,era descascada.lavada.As mulheres a ralavam ,punham escorrer num saco branco.Daí elas tiravam o polvilho doce e deixando uns dias, o polvilho azedo.Esse mesmo método era usado para  se fazer a fécula de batata doce.
Enquanto as mulheres trabalhavam nós , as crianças brincávamos perto do monjolo.Só corríamos quando sentíamos o cheiro do biju assado!Era uma grande festa.
Nunca  mais comi um biju tão saboroso!

22 de mar. de 2012

Como a água era importante para nós!

Hoje dia da água lembrei-me de como nós vivíamos e nos juntávamos ao redor do rio. No sítio as casas eram construídas bem próxima ao rio. Dependíamos dele para tudo.As tábuas de lavar roupa era colocadas bem na beirada na margens.Não se desmatava as margens dos rios pois intuitivamente o homem sabia que elas protegiam o leito do rio.A agua era límpida,podíamos ver os peixes nadando.
Próximo onde eu morava havia muitas minas,de onde retirávamos a água para beber.No geral as minas ficavam cercada por vegetação e meu pai mantinha muito limpo a nascente,e mantendo as plantas ao seu redor.
Não se permitia pisar ou nadar onde a água brotava da terra.Foi usando uma mina que ficava um pouco mais elevada que minha casa que papai,inteligente como ele só,usando uma taquara especial conseguiu levar água até a cozinha de casa .
Foi um sucesso!Vinha gente de toda parte para ver o que meu pai havia feito!Para evitar desperdício papai colocou na ponta da taquara que ficava em casa, uma rolha que era tirada quando se ia usar.
Ao lado do rio havia o monjolo movido a água que era usado para fazer as farinhas de milho,de mandioca e o delicioso BIJU! Até hoje no silencio da noite tenho a impressão de ouvir a batida do monjolo!
A roda d'água era como motor das bombas de água de hoje!
Onde o rio alagava nas enchentes se plantava o arroz da água, que mataria a fome de todos .
Os sitiantes respeitavam as águas pois dependiam dela para viver, mas hoje o homem se julga tão auto suficiente que resolveu destruir a sua maior fonte de vida!!!!!!!!!!!!!!!

20 de mar. de 2012

Artesanato

Ontem Dia de São José,foi o dia dedicado aos artesões! Fiquei a imaginar que tudo ,antes da era industrial era feito a mão .
Veio a memória os lindos móveis feito pelo tio Guerino,como eram lindos,bem feitos!Que artesão fabuloso ele era!
As lembranças não param por ai: lembrei-me dos objetos que meu pai fazia de taquara,eram balaios, cestos,peneiras para se passar o feijão e sua facilidade em transformar pedaços de madeiras em objetos.Hoje se estuda muito para se fazer uma escultura e meu pai em minutos só usando se canivete dava vida a um bicho,um navio,um avião,frutas..............
O que se dizer da facilidade que vovó Rubina tinha em transformar roupas velhas em lindos acolchoados que eram admirados por todos.
A beleza dos bordados de mamãe era conhecida e admirada por todos.Ela era mestre na arte de bordar!
Imagine se hoje vocês conhecessem uma italiana sem o olho direito e que fizesse maravilhas com agulhas,tenho certeza que procuraria levá-la a TV.Vovó Bárbara só com um olho foi a maior artesã que conheci.Ela conseguia transformar fios retirados das taquaras em lindas toalhas,cortinas e colchas.
Suas mãos pareciam uma máquina transformando fios em objetos de adorno ou de uso pessoal.
Se eu fosse falar sobre todos os artesões que passam pela minha vida,este blogger seria pequeno,pois sou anterior ao BUM da Industrialização!Quando nasci deitei em um berço feito a mão,quando aprendi a sentar usei uma cadeira  feita a mão com acento tecido com taboa.Eu andava de carroça que era construída a mão.
Resumindo tudo que me cercava tinha sido feito, quase sempre, pelas mãos de meus parentes!!!!!!!!!

19 de mar. de 2012

Como era caro tirar fotos

Quando mudei para a rua Stélio Machado Loureiro conhecemos a o sr Zé Rojão,que era fotógrafo e residia um quarteirão a cima da minha casa.
Naquela época era raro quem tinha uma máquina fotográfica, e a para ganhar mais ele alugava máquina com filme e depois cobrava a revelação!
Seu Zé Rojão tinha esse apelido porque trabalhou muito tempo fazendo rojão.Era um senhor muito atencioso,tratava a todos com muito respeito e consideração.
Lembro-me do primeiro dia em que decidimos alugar uma máquina,nós iriamos visitar os avós no sítio e queríamos tirar fotos de todos de lá.
Por uma semana eu atormentei seu Zé indo todos os dias ver as máquinas,pedir orientação.
No sábado lá fomos minha irmã e eu para alugar nossa primeira máquina.
Lá chegando fui logo mostrando para ela tudo que precisava fazer para se tirar um boa foto.
Expliquei que quando estava sol tinha que por no desenho do sol e quanto estava nublado precisava por no desenho das nuvens.Precisava apertar o botão disparador e depois bobinar o filme pois senão acavalava as fotos umas sobre as outras.
Minha irmã perguntou para o fotógrafo como eu já sabia tudo isso e ele pacientemente explicou que eu fiquei a semana toda  aprendendo com ele.Demos a ele o dinheiro contadinho e saímos como se tivéssemos feito o maior negócio do mundo!
Em casa foi a maior festa a chegada da máquina,todos queriam te-la nas mãos e eu como papagaio ia repetindo tudo que havia aprendido.Trocamos de roupa e fomos tirar a primeira foto nas escadarias da igreja Matriz.Foi uma amiga da minha irmã que bateu!
Eu havia cortado o cabelo pela primeira vez e tinha feito permanente,estava me achando o máximo .Minha irmã com sua blusa bordada e a saia de listras nem se mexia de medo de estragar o cabelo!
No domingo choveu prá valer e não pudemos ir ao sítio,mas quando a chuva passou tiramos fotos da vizinhança!!!!!!!!!!!!!!!!!

18 de mar. de 2012

Que saudades do tio Silvério!

A irmã de minha mãe,tia Esperança ,era casada com um português chamado Silvério.Eles moravam na Rua Pernambuco em Avaré.Nós íamos constantemente a sua casa e vice-versa.Eu logo cai nas graças de meu tio,que desenvolveu um carinho muito grande por mim,chegando a me pedir para meu pai,que até se ofendeu.
Nós estávamos  sempre nos visitando.Pude conviver toda minha infância co tio Silvério!Foi com ele que conheci a historia de Portugal que foi uma grande potencia na época dos grandes descobrimentos.
Ele era um português que adorava sua terra.Falava com amor e saudades dos casarios de pedra,dos vinhedos,da alegria de seu povo!
Sabia como ninguém preparar uma bacalhoada, pasteis de Santa Clara,quindim, baba de moça,e muitos outros doces!
 Eu aprendi com ele que antigamente em Portugal a moça que não se casavam,ou tinha algum problema as famílias ricas mandavam para o  convento,que era mantido por essas famílias ricas.
O habito da freiras era engomado usando claras de ovos e elas para aproveitas as gemas inventaram doces com as gemas, que ficaram famosos.
O partido político de meu tio apoiava Ademar de Barros,enquanto o que do meu pai apoiava o Hugo Borghe para governador e meu tio era um ademarista fanático.
Lembro-me que meu tio me punha sentada na mureta da área de sua casa e manda eu gritar VIVA  O  ADEMAR  DE BARROS! Meu pai ficava uma fera  Minha avó Bárbara dizia que toda pessoa que marca sua passagem pela terra ,tornava-se imortal.
Meu tio se eternizou quando me ensinou a cozinha portuguesa!Cada doce ou comida que faço ou ensino para alguém tio Silvério revive!!!!!!!!!!!!!

14 de mar. de 2012

Como é duro ser diferente!

Fui criada diferente da maioria das pessoas.Sempre fui cercada  por muito amor, dedicação,mas muito foi exigido de mim desde a mais tenra idade.Nunca me foi dito que algo era perigoso ou impossível de se fazer.
Sempre soube que meu Pai era o dono do mundo,tudo que existe me pertence basta eu fazer por merecer!
Aprendi que valho por o que sou e não pelo que aparento ser,a nunca dizer eu sou,mas sim agir com sou!
O que vale são suas ações e não o dizer que é!
Aprendi a querer muito e a lutar para sua conquista,mas nunca a querer só porque os outros tem!Sou muito seletiva e meus gostos difere da maioria das pessoas.Enquanto a maioria das mulheres pensa em comprar roupas ,sapatos eu penso em assinar revistas e jornais para me atualizar,a comprar o que há de moderno em utensílios para cozinha ,que é minha outra paixão!
Essa minha maneira de ser, me coloca contra a maré do que as mulheres o são e já me custou muito!
Uma das coisas que mais me acontece é baterem em minha porta e quando eu atendo pedirem para chamar a patroa.Simplesmente digo que a patroa não está!
Outro fato engraçado que aconteceu comigo foi que logo que mudei par Cerqueira uma das vizinhas,bem pobrezinha,veio me oferecer osso que ela tinha ganho para eu fazer sopa.Agradeci e disse que eu já havia ganho.Só anos depois, que ela ficou sabendo que eu era professora é que rimos muito do acontecido.
Certa feita fui convidada para participar de uma reunião na UBS onde eu ia fazer curativos todos os dias e uma servente,na hora que entrei  na sala disse que eu precisava dizer nada,só concordar com o que a responsável pela UBS falasse.Qual não foi a surpresa de todos quando o secretário de saúde do município ao entrar e me ver,foi logo me cumprimentando e me apresentando para todos como a professora que mais  lutou ,na cidade pelo bem da comunidade.Foi aí que eles descobriram quem na verdade era aquela que as vezes foi tratada até com certo desdem.A verdade sempre aparece!!!!!!



12 de mar. de 2012

Outras mulheres da minha vida!

Antes dos 9 anos conheci a mulher que mais tarde seria muito importante na minha vida!Dona Cinira devagarinho foi adentrando na minha vida.Com ela aprendi que o dinheiro compra tudo menos a felicidade..
Ela foi meu ombro amigo quando da ida de minha mãe para alem vida,ela e sua filha Ana Maria foram minhas companheiras,me tirando da solidão.Quando mudei para Apiai e a Ana foi comigo ,Dona Cinira para lá mudou.Ela e a Ana Maria me ajudaram a criar meus filhos,o mais velho ,ainda em Cerqueira quando ela enxergava e o mais novo em Apiai ,já cega mas descrevia meus filhos como se enxergasse.Dizia que os via com os olhos do coração.
Em Apiai meu Pai colocou em meu caminho a Dona Georgina que foi uma mãe para mim e ótima avó para meus filhos.
Vindo para Valinhos aqui encontrei dona Lourdes que desde o primeiro momento parecia que estávamos juntas a muitos anos,é uma irmã de coração e alma.Nossa amizade ultrapassa distâncias e tempo, estamos .sempre ligadas,mesmo que distantes.Ela é amiga para todas as horas!
Pouco depois de mudar para a Rua Dr Armando Costa conheci outra mulher que se não é minha irmã de sangue o é de espírito.Pressentimos os problemas uma da outra.Apesar de pouco nos vermos estamos unidas pelo coração
Mais tarde outras 3 mulheres entraram na minha vida; :minhas noras.Sandra uma mulher de valor lutadora,que me deu 2 netos e com sua separação,anos depois entra a Emília,moça inteligente e sempre pronta para ajudar que  me deu 1 neto,o mais novo.
Antes mesmo da Emília entra em minha vida,chegou a doce e amorosa Aniara.
Todas essas mulheres marcaram a minha vida e  marcaram minha existência!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!