8 de abr. de 2011

Parece que Deus colocou todas as suas belezas em Apiaí!

Todos que leram a decisão que tomei deve ter achado estranho,mas é que eu ainda não havia contado que várias coisas mudaram em um curto espaço de tempo.
Meu sogro teve uma morte fulminante, e como minha sogra ficou sozinha, nós vendemos nossa casinha e mudamos com ela.Novamente deu tudo errado, ela adorava seus parentes, que como ela ,tirando a vó Brasília, eram egoístas, mal educados e me detestavam.Minha sogra detestava criança, não queria nem saber do Ulisses. 
  
Na verdade, quando eu tinha que trabalhar ele ficava com a vó Cinira.Foi por isso que eu quis ir morar longe. 
Foi com ansiedade que o novo ano começou.Nos primeiros dias, eu , meu filho meu marido e a Ana Maria fomos conhecer onde eu iria lecionar,e arrumar uma casa para morar.Todos se ajeitaram no fusca, e lá fomos nos.Para meu filho era um grande passeio.Apiaí ficava incrustada na serra, enfeitada pelo morro do ouro, do qual ouvi muitas histórias.
O que mais chamou a nossa atenção foram as belezas naturais, parecia que Deus reservou para esse local todas as suas belezas!
Descobrimos várias casas que estavam em construção, e compramos a que ficava na esquina.Em quinze dias poderíamos mudar
Resolvido esse problema, fui conhecer o povoado de Araçaíba, onde ficava a escola que eu havia escolhido.
Ficava bem próximo da cidade, mas teríamos que subir a serra e depois desce-la para chegar no Povoado. Eram curvas e mais curvas até chegar lá.Era um lugar lindíssimo,cercado de morros em todos os lados.
A beleza era tanta que até se perdia a voz. Havia uma igreja e partindo dela havia caminhos nos morros, que depois vim a saber eram usados na
procissão de Bom Jesus em 6/08. Era uma festa típica do local.Fui muito bem recebida por uma colega que estava ansiosa para conhecer a única  professora que havia vindo para lá por escolha e não porque não tinha outra opção. Fiquei feliz por tudo que vi. 

7 de abr. de 2011

Finalmente me tornei professora efetiva!

Chegou o dia em que eu deveria ir a São Paulo para escolher minha classe, eu seria finalmente professora efetiva, que era o sonho de toda normalista.
Como onde eu morava ficava  distante da capital, decidimos ir a tarde,pousar na casa do meu primo Reciere, para estar no Colégio Caetano de Campos, logo cedo. Naquela noite, lembro-me que a família do meu primo assistiam juntos o programa Sílvio Santos ,isso quer dizer que pouca coisa  mudou.
Bem cedinho eu meu marido, meu primo e papai fomos para a escolha. Eu deveria estar calma,pois era o começo da escolha, havia ótimas escolas, mas eu havia tomado uma decisão que me deixava inquieta.Todos esperavam que eu escolhesse em Avaré,onde havia 15 vagas, mas o meu plano era outro e eles só souberam depois de tudo consumado.
Fui chamada nas primeiras horas.Havia um palco montado com mesas cadeiras e se passava por elas,assinando documentos, que na animação nem sabíamos o que se assinava,era tudo muito rápido. Passava-se por uma mesa  onde se dizia em que região pretendia a vaga, e na próxima se fazia a escolha
Ao chegar na mesa onde se escolhia a região, pedi uma régua e medi de Cerqueira César até a região mais  distante que era a cidade de Apiai,onde havia muitas vagas, mas ainda não satisfeita perguntei qual era mais longe, e me disseram a escola Ambrosina de Oliveira Mattos, em Araçaiba. Essa foi a escola que escolhi e hoje mais do que nunca tenho a certeza que fiz a melhor escolha da minha vida. Lá por um ano me senti útil e necessária, e muito aprendi sobre relações humanas.
Após a escolha se assinava mais um monte de documentos, me tornei até sócia do Centro do Professorado  Paulista, o que mais tarde me foi muito útil.
Recebemos também a papelada para o exame médico sem o qual não se tomava posse.
Um dia inteiro fiz exames médicos em todas as especialidades, e só no final do dia  se recebia o laudo quando se era considerado apto.
O ingresso seria em Fevereiro de 1970.
Voltando para casa tive que explicar o porque da minha escolha.Fui rápida e clara queria criar meu filho da minha maneira sem intromissão de ninguém. por isso da régua e da distancia.

6 de abr. de 2011

O concurso de ingresso perde sua validade!

Uma notícia abala o magistério.O concurso que prestamos em 1966 estava perdendo sua validade! Mas eis,que Antonio Salim Curiate consegue uma emenda que torna possível revalidar o exame, desde que se faça uma opção.Isso deveria ser feito na Regional de Ensino, no meu caso em Botucatu. La fui eu carregando meu filho, para preencher documentação que me garantia o direito ao ingresso no magistério.Fomos para Botucatu de ônibus,mas não é que o danado resolve quebrar bem longe da cidade. Ulisses já tinha quase 2 anos,era muito esperto, andava bem, mas por ser gordinho, andava devagar e como eu tinha hora para chegar, tive que carrega-lo por um bom trecho
Chegando na Divisão, papeis preenchidos, assinados e novamente eu vi a possibilidade de ter minha classe. O retorno foi mais calmo, talves porque o coração  estava esperançoso.
O tempo passou e nada de sair a classificação para a escolha da classe, já estávamos perdendo as esperanças quando uma ótima notícia ecoa nas escolas: Finalmente é publicada a relação de vagas e a classificação para a escolha, isso depois de 2 anos. Eu estava bem classificada, escolheria nos primeiros dias. A escolha seria no Caetano de Campos, em São Paulo. Lá fui eu para me tornar professora efetiva!

Quando achamos que tudo estava perdido, aparece a solução!

Meu filho crescia forte bajulado pelos avós de coração, e os de sangue. Aos 3 meses já sentava e aos oito meses andou.Eu não estava satisfeita morando com meus sogros.Essa não era a família que eu queria para meu filho.Eram pessoas sem estrutura  que mentiam umas para outras  Quando casei não procurava um homem para me sustentar, mas sim um homem com quem eu pudesse formar uma família.
Na casa dos meus sogros isso não estava acontecendo . Acreditando que tudo podia melhorar, fui deixando o tempo passar até que não deu mais.Uma noite arrumei as roupas minha e de meu filho, e parti, deixando bem claro que só voltaria se fosse em uma casa só nossa.  Fui apoiada pelo meu pai e por meus amigos, que muito me ajudaram nessa fase triste da minha vida. Continuei trabalhando, mas meu marido nunca soube onde eu estava com meu filho.Por ocasião do dia do Corpus Cristi, a escola costumava decorar uma rua e eu fui convocada para desenhar. Minha irmã disse ao meu marido onde e quando estaria lá.Ele me procura e  disse que havia comprado uma casinha para nós, e eu voltei.A casa era só tres comodos, o fogão era emprestado pelo meu sogro.era elétrico, dava cada choque! Com o tempo ampliei, fazendo uma sala,cozinha e lavandaria apesar de ADORAR esse local eu nunca a terminei, mudei antes e quem a comprou não mexer em nada, só a terminou. A última vez que passei por lá a saudade foi imensa.
Quando se é feliz o tempo passa rápido.

4 de abr. de 2011

Ele é um italianinho!

A vida aos poucos foi voltando ao normal, só que acrescida de uma outra vida.No final de Janeiro é chegada a hora da mãe dar lugar a professora! Fui até a escola onde eu era substituta efetiva, para participar da atribuição de aulas. O Ulisses foi o rei, todos queriam carrega-lo, e afirmavam que ele era um perfeito italianinho. De imediato não peguei nenhuma classe, mas eu ganhava um terço do salário de quem estava com aula, para ficar meio período(2 h) a disposição da escola,nesse período eu fazia de tudo: ajudava na preparação de provas, ficava na sala de aula quando a professora se ausentava, enfim era um faz tudo. Caso uma classe vagasse eu era obrigada a assumi-la,e passaria a receber o salário integral.
Saindo da escola fui a casa de dona Cinira, a mãe da Ana Maria.Seu Mário,seu pai ficou doido pelo Ulisses tão logo o viu. Ele disse que parecia estar voltando a Itália, onde os bebes eram todos como o Ulisses.

Seu Mário, dona Cinira, Ana Maria, perguntaram quem ficaria com ele enquanto eu estivesse na escola, pois  sabiam que a vó não tinha muito interesse por ele, e quando eu disse que não sabia ainda, eles abraçaram o meu  filho e disseram ele tem que ficar com os avós e tios ou seja ele tem que ficar conosco. Na verdade dona Cinira foi a única avó presente que meus filhos conheceram,realmente eles foram minha família no exato sentido da palavra.
Seu Mário logo partiu mas os outros pajearam até meu outro filho, e quando Avó CINIRA perdeu a visão, anos depois sem conhecer meu outro filho, ela o descrevia perfeitamente, pois dizia que o via com o coração.

3 de abr. de 2011

Meu filho enfrenta sua primeira chuva!

O dia 22 de janeiro amanheceu bonito e muito quente.Devido ao calor Ulisses ficava só de camiseta e fralda contrariando o que os avós queriam. Quanto ao meu filho eu sempre fiz o que achava o melhor, não se importando com os palpites do meu sogro, que gostaria que fosse criado sem limites ou regras.Dei aos meus filhos muito amor mas com limites e seguindo regras.Acho que deu muito certo pois meus filhos são muito bem quistos.
Bem, voltando a nossa história, durante todo o dia o ar esteve abafado,demonstrando que algo se avizinhava.
No final do dia o céu começou a se tingir de negro,um vento soprava, deixando os seres vivos temerosos.
As aves voavam rápido, os animais procuravam abrigo. Algo terrível  estava para  acontecer! Deitamos cedo.
Lá pelas 11h, a chuva começou forte, acompanhada de um imenso vendaval, que vinha varrendo tudo que encontrava!
O meu quarto ficava na parte da frente da casa, e o vento com força começa a destelhar tudo. O Ulisses dormia  tranquilamente quando tudo começou, mas o meu instinto materno fez com que eu o pegasse no colo,nesse instante parte das telhas caem no berço, saio correndo, enquanto o telhado vem a baixo destruindo  móveis,roupas, tudo que vinha pela frente.
Os dois cómodos  da frente ficaram destelhados,mas o resto da casa não Meus sogros acordaram com o barulho!
Na hora em que peguei o Ulisses do berço, peguei junto o cobertor, no qual o embrulhei, enquanto eu me secava no calor do fogão.
Fiquei so de camisola.Todas as minhas roupas do quarda roupa, roupas de cama de banho,o enxoval do meu filho ,as águas arrastaram tudo, minha sorte é que havia recolhido roupas que aguardavam para serem passadas, e foi elas que nós usamos.

1 de abr. de 2011

Foi com muita emoção que meu pai conheceu o neto!

De manhã quando meu sogro foi abrir o bar e o açougue, foi contando para todos o nascimento de seu neto.
Logo minha irmã ficou sabendo e veio correndo ver o sobrinho.Ao pegar o bebe em  seu colo, diante da beleza dele,chorou muito, e disse que só não brigaria comigo por ter enganado-a,pelo sobrinho que eu lhe dera!
Voltando do serviço, papai antes mesmo de chegar em casa, ficou sabendo que seu neto havia nascido, vai direto para minha casa.Fica feliz com o neto e muito mais por saber que ele tinha também  o sobrenome Porto.
No outro dia ele voltou trazendo frutas,biscoitos,doces para mim e roupinhas para o Ulisses. A cidade toda ficou curiosa para  conhecer o único menino nascido em Janeiro.Foram 17 meninas só o meu menino.Dessas meninas eu amamentei 4 delas, mas ninguém teve coragem de ir ate minha casa,pois meu sogro era tido como um bronco. Eles conheceram o Ulisses, quando eu sai com ele.
Ninguém cuidou de meu filho, somente eu o banhei, troquei, alimentei.