11 de mar. de 2011

Nasce uma nova professora, apaixonada por crianças e animais!

Você achou esquisito eu não saber do vestido que fiz com tanto cuidado e dedicação? É que fui educada colocando o ser humano em primeiro lugar. Para mim a matéria passa, mas a essência fica; os bens materiais vão e vem, o que realmente fica é o que se construiu.Vamos ao assunto. No dia do baile  meus colegas ficaram
preocupados com a minha demora, e quando souberam a causa, mesmo sem saberem a real gravidade da doença de minha mãe, deram as mãos e oraram por ela. No outro dia lá estavam, em minha casa contando sobre o baile e da falta que fiz.
Diploma na mão era hora de registra-lo e partir para a luta, foi aí que tomei uma decisão, que mudaria  e totalmente a minha vida. Eu era noiva e estava de casamento marcado para menos de um mês. Meu noivo era o homem que toda mulher quer: bonito  culto, amoroso, aparentemente me amava muito, de posses  mas com defeito imperdoável para mim, não gostava de animais. Decidi romper o  compromisso, mesmo sabendo que mamãe gostava muito dele. Naquela noite fomos ao Parque de Diversão e lá devolvi a aliança dizendo que ele não era  o homem que eu queria na minha vida. No outro dia amanheci livre para cuidar da minha carreira, o amor ficaria para depois!
Diploma registrado  hora de batalhar uma escola para dar aula. Não poderia ser muito longe porque eu precisava cuidar da mamãe. Nesse período vivi  um misto de euforia e de apreensão por não conseguir por em prática tudo que eu idealizara como educação!

9 de mar. de 2011

Finalmente chegou o tão esperado dia da formatura!

Durante os anos do curso nos preparamos para a formatura, se o curso era especial a nossa formatura  deveria ser tão especial quanto ele. Vendemos o jornal que editavamos, vendemos doces, todos os alunos
doaram algo para a venda.Por três anos, como  formiquinhas fomos juntando o dinheiro para uma formatura espetacular. Eramos 9 mulheres e só um homem, que "cortou um 12 na nossa mão".A ultima vez que falei com ele, foi a mais de 11 anos, uma pena porque ele se tornou umapessoa especial para mim  gostaria muito de continuarmos tão amigos
como antes. O tempo passou rápidamente e os exames finais foram feitos.Começou então os preparativos para a tão sonhada formatura.
Já haviamos combinado que no baile teríamos uma orquestra internacional, o nossodinheiro dava para issoDecidimos que cada mulher teria uma flor no vestido social. Asolenidade de entrega de diploma, a escola faria como era  de  praxe no cinema da cidade,o baile seria  num clube cedido  por um político, o vestido deveria ser belo, as cores seriam combinadas entre nos.O único homem deveria estar de smok.Decisão tomada, passei a procurar o tecido moderno rosa(essa foi a cor que me coube).Depois de muita procuraencontrei um bordado inglês rosa bem clarinho, esse tipo de tecido era novidade total.Decidi fazer um vestido de alça, com recorte no busto,de corte reto,com amplo decote nas costas. O barrado bordado seriaa parte da barra, e os bordados estariam também no recorte do busto. Seria todo rebordado com lágrimas de pérolas. Na cintura seria colocado um cinto fino do mesmo tecido fechado na cintura por uma flor.E assim foi feito. Meu vestido ficou lindo! Meu cunhado, meu padrinho de formatura, me deu o anel de professora. O clube foi todo decorado por nós.De uniforme recebemos o diploma.Retornamos a nossas casas,para nos aprontarmos para o baile. Novamente a vida me prega uma peça: mamãe estava passandomuito mal.O meu querido vestido todo lindo.,descansava sobre  minha cama, e lá permaneceu, enquandosocorríamos mamãe,ela era mais importante que um baile. Ao nascer do sol a crise já havia passado, minha mãe mais uma vez vencia a morte. O meu vestido nunca foi usado, na verdade, não lembro o que fiz com ele!

8 de mar. de 2011

E, eu cursei o Ciclo Colegial de formação de professores!

O ano  letivo estava para começar e os  aprovados nem sabiam se conseguiriam estudar pois só 9 alunos, de mais de cem haviam sido aprovados, e o número era insuficiente para a implantação do curso. Por um ato político  se instituiu  um curso novo e exprerimental.Um curso que alémde preparar o aluno para lecionar, daria a prática, e cultura .Tinhamos 18 matérias no primeiro ano.O ´prédio seria o mesmo onde fiz o ginásio(onde hoje funciona a APAE) ,pequeno e impróprio. Sem sala o curso funcionou no laboratório.O ano começou com 9 alunos, os melhores da região. Logo no começo do ano, junta-se a nós uma jovem vinda de outra cidade que rapidamente se entrosou com todos
O curso todo foi muito divertido, pois nos conhecimos desde o ginásio. Para que pudessemos praticar foi montado um anexo com salas de grupo escolar. Aí foi montado uma CLÌNICA PEDAGÒGIA. O que eu mais lembro foi o primeiro dia que dei aula. Era sobre animais.Toda empolgada eu disse que o cachorro era ser humano, quando deveria ter dito ser vivo. Até hoje as colegas de classe ainda fazem gosaçao. Eu continuei o curso em Avaré,me diplomando com mérito.
Continuei a dar aula de reforço, escrever para o jornal, e o que mais eu gostava era ajudar minha mãe a cuidar da minha sobrinha. Ela era completamente diferente da minha familia, era morena com os cabelos enrolados,quase pixaco. Logo que eu chegava da escola corria paparica-la. Minha irmã trabalhava na escola onde eu estudava. Bem.cedinho ela chegava, trazendo alegrias para uma avó que sabia queessa alegria não duraria muito. Em nenhum momento esqueci que logo mamãe nos deixaria, mas sua força me deixava envergonhada por entristecer com o fato.Minha sobrinha, crescia esperta e muito curiosa, o que custou vários cadernos meu rabiscado, trabalhos manchados, folhas rasgadas e rabiscadas.No começo achava que fazer esse curso era um sacrificio, mas aos poucos fui me apaixando pelo magistério. COMO MINHA MÂE ME CONHECIA ! Nessa época tive alguns problemas de saúde, mas tendo minha mãe como protetóra consegui terminar o curso entre os primeiros alunos, só não tirei o primeiro lugar devido o número de falta. Por três anos essa classe pequena em números de alunos foi um exemplo em dedicação e em aprendizagem
Esse curso que deu a mim e meus colegas de classe  base para mudar para melhor a educação do país
não pode ser implantado no Estado devido seu alto custo. Para mim foi uma honra ter participado desse
projeto!!!!!!!!!
 .

7 de mar. de 2011

Porque me tornei professora.

Até meados de 1960, as escolas premiavão no fim do curso o primeiro aluno. No grupo juntamente com outra menina recebi um depósito bancário em meu nome. Não lembro qual era a quantia. Só sei que sinto até hoje as palmas quando fuichamada no palco para receber as homenagens por ter obtido a maior nota após 4 anos de esforço. Fui cumprimentada por todos os professores e quando a diretora me deu o dinheiro(sei que era um bom dinheiro pois meu pai disse que ele teria que trabalhar mio ano para conseguir essa quantia).todos ficaramem pé  aplaudindo eu e minha companheira. Foi muito emocionante! Não dá para esquecer!
No ginásio tudo se repetiu, só que quem conseguiu o primeiro lugar comigo foi um amigo, tão tímido quantoeu. Ele continuou comigo, estudando, por mais tres anos.
A época do ginásio me trouxe muitas novidades.Minha única sobrinha nasceu,passei a namorar,e por indicação dos professores passei a dar aula de reforço;  fazer trabalho para os outros alunos.Foi  uma época que aprendi muito. No finalzinho do curso,ganhei  do amigo Carlos Lacerda um curso de oratória, na cida dade de Bauru, onde eu já jogava basquete.O curso acabou e todos se preparavam para o exame do curso de magistério, menos eu que já havia passado e estava cursando o científico no Cel. João Cruz em Avaré.
Muitos prestaram o exame, só7 passaram. Foi então marcada a segunda época. Eu estava sossegada até
que o rumo da minha vida mudou.Mamãe temendo me deixar desamparada decidiu: ou eu fazia o
exame e passava, ou não mais  estudaria em Avaré.Mesmo não querendo ser professora, fiz o
exame e passei. continuei estudando em Avaré. Hoje eu agradeço minha mãe, pois me realizei como
professora. Mãe encherga longe!!!!!

5 de mar. de 2011

O carnaval de ontem e o de hoje!

Para os jovens da década de 50 e 60 o Carnaval era uma das festas mais esperadas, a diversão era total. As famílias preparavam fantasias, cada uma procurava ser melhor que a outra. Como eu não frequentava o clube onde morava, e também não tinha com quem pular, ia para Botucatu, pular com os familiares de minha avó Rubina. Fazíamos reunião para decidir a fantasia, e separar quem fazia o que.Como eu  costurava ,fazia algumas fantasias e ficava encarregada de todas as pinturas. Em um determinado baile tivemos a ousadia de nos fantasiarmos de esqueleto.Todos usamos um macacão preto, no qual eu pintei um esqueleto ,deu um trabalhão! Depois de nos aprontarmos, saiamos da Vila Operária com destino ao centro onde ficava o clube, era um show a parte .A família toda: mãe, pai, filhos,tio,sobrinho,primos todos com a mesma fantasia e munidos da mesma animação. Íamos cantando e pulando na maior animação carregavam na bolsa,
confete e serpentina e no coração uma vontade louca de divertir. Hoje todos levam na bolsa camisinhas e no
coração o desejo de transar.Carnaval hoje é comercio, não diversão! Nos bailes havia respeito entre os foliões. Hoje só há uma pegação!Não sou moralista, mas se diversão hoje é transar,fico triste, pois falta a
todos imaginação,que era o que mais tínhamos. Diversão não esta ligada a sexo. Na minha época nos jogávamos confeite e serpentina hoje os jovens usam baseado. Uma das fantasia que todos da minha
lembram eu usando era uma saia santrope com uma blusa amarrada na frente.Fiquei bem legal nela!
Acredito que no nosso meio deveria ter pessoas como hoje, mas era excessão, não regra, hoje a regra
é curtir, beijar muito e usar muitas camisinhas! No Carnaval hoje a mulher é usada como um objeto.

4 de mar. de 2011

A vida continua mesmo sem a vovó Bárbara!

Após o enterro da vovó, meus tios permaneceram em minha casa até a missa de sétimo dia,como era o costume da época.Todos os dias rezava-se o terço.A época era outra! No meu coração havia um vazio!O mais difícil  foi o retorno `a escola pois eu sabia que ela não estaria me esperando.Foi justamente por ama-la muito, que ergui a cabeça, e em sua homenagem parti para as conquistas. Eu não poderia  decepcionar aquela que mais havia investido em mim. Vovó Bárbara não morreu e nunca morrerá enquanto houver pessoas falando o que ela pregava, fazendo os artesanato  que ela sempre ensinou, fazendo as comidas que ela sabia fazer, enquanto houver uma italiana chorando as saudades de sua terra. Ela viverá  eternamente neste blogger. Viverá eternamente nas  minhas lembranças e nas histórias que conto aos meus descendentes.Esse ano que passou  para história com a liberdade do hippe ,os festivais me reservava  Surgiu  no seio de minha mãe pontinho escuro. Procuramos o médico que pediu alguns exames, que  ela prontamente fez. Vinte dias depois voltamos ao médico para saber o resultado dos exames. Com tristeza soubemos que mamãe estava com câncer no pulmão.Imediatamente ela perguntou ao médico quantos anos de  vida ela ainda teria, ao que o médico respondeu "por volta de uns 3 anos." Comecei a chorar mas minha mãe me abraçou e disse" Pode ter certeza que não vou embora sem deixar você formada e talves até casada"O médico deu todas as orientações e quando íamos saindo ela disse a mim e o médico "SÓ  NOS  TRÊS  SABEREMOS  O   QUE EU TENHO, NINGUEM DEVERÁ SABER O QUE EU TENHO, QUERO VIVER COMO SEMPRE VIVI, NÃO  PRECISO  DA PIEDADE DE  NINGUÉM,  SÓ DO  RESPEITO"e assim foi feito, somente o Fernando ficou sabendo!

3 de mar. de 2011

É morrendo que se nasce para a vida eterna!

                                                

Em minha vida tudo foi muito intenso, enquanto fazia uma tarefa já tinha outra em mente. Pintava tela enquanto comia, estudava um texto enquanto ia ao sanitário, enquanto ensaiava passava na máquina as minhas roupas. Eu não podia perder tempo pois tinha muito a conquistar. Tudo que conquistei e que ainda vou conquistar devo quase que unicamente a minha avó Bárbara,que conseguiu transformar uma gatinha fraca em um leão furioso e pronto a lutar. Sempre que eu dizia eu não posso ela me dizia "SE SEU PAI É O DONO DO MUNDO, VOCÊ NÃO TEM LIMITAÇÕES, VOCÊ TUDO PODE, BASTA QUERER". E, ASSIM ELA ME TRANSFORMOU EM UMA FORTALEZA. Estávamos no final de 1959, ela já não era a mesma ,assim como o sol vai se pondo devagarinho,ela também foi se despedindo desta vida bem devagarinho enquanto sua luz ia se apagando. Os meus quinze anos foi o último que eu a tive ao lado neste plano. O Natal por ser meu aniversário, era a data mais importante para ela. Quando abrimos a cesta seu entusiasmo foi menor que todos os ouros anos.Seus cem anos estavam  pesando. Meu amor morria um pouquinho por dia, até que logo após o Natal , ela estava deitada havia se despedido de sua filha Esperança, minha mãe e minha irmã foram acompanhar a visita até o portão e eu fiquei na sala. Ouvi um barulho no seu  quarto, corri e quando cheguei na porta, minha avó estava sentada na cama, mas de uma maneira esquisita. Fui até ela mas já não me respondeu. Ela havia entrado em COMA. O dia 7/01/1960 se anunciou com a passagem definitiva da minha avó para a vida eterna, pois segundo São Francisco "È MORRENDO QUE NASCEMOS PARA A VIDA ETERNA'