15 de fev. de 2011

O meu ingesso no ginásio foi recebido com alegrias pela minha família!

 Após o término do grupo escolar depois de conviver com as mesmas colegas e professora, chega a hora de testar os conhecimentos numa prova seletiva,para ingressar no ginásio. Depois de muito preparo quando chega o tão temido dia, parece que o coração ia sair pela boca. A prova era realizada no próprio prédio da escola.Fomos agrupados em 4 salas,todas cheias de jovens temerosos mas certo do que queriam, e certos que só 45 poderiam cursar esse ginásio.A prova durou 4 horas, fomos testados em português,matemática,ci ências,história,geografia,e principalmente as melhores notas teriam que fazer uma prova oral, perante uma banca examinadora.Sai de lá confiante, achei a prova bem fácil.Quinze dias depois o resultado foi fixado no mural da escola.Como eu morava bem perto da escola fiquei sabendo do resultado nas primeiras horas. Não poderia ser melhor eu estava em primeiro lugar com mais 3 jovens. Para a minha família foi uma grande alegria Na prova oral tirei 100,eu estava por direito no ginásio.A ansiedade me acompanhou toda aquelas férias! Um novo mundo estava se apresentando para mim, eu iria conviver e aprender com os temidos professores que vinham de Avaré, estaria com colegas desconhecidos,pois poucos de minha cidade haviam passado.Eu estaria convivendo com jovens de: Iaras, Santa Bárbara, Manduri, e até de Avaré. Assim como hoje se prestava o exame em vários lugares e se fazia a matrícula onde era aprovado.Eu estava preparado para o viesse.O tecido da saia e da blusa são comprados e foi com prazer que as costurei.A saia era azul marinho de pregas costuradas até no quadril, um pouco abaixo do joelho,a blusa era branca com botões na frente, no bolso tinha uma listra da cor da saia ,dizendo que eu estava na primeira série do ginásio.O no de 1957 começa e com ele a minha nova vida! O tempo diria que essa nova vida fora de conquistas, aprendizagens,mas principalmente de muitas novidades!

11 de fev. de 2011

Na décata de 50 a escola pública ensinava e a escola particular só promovia!

Na década de 50 quando estudei, as escolas Públicas eram as melhores. Era muito difícil ingressar em uma delas.´Somemte quem realmente queria aprender, frequentava uma delas. Os alunos que frequentavam a escola só pelo diploma iam para as escolas particulares. O ensino era eficiente, professores eram engajados  no propósito de ensinar.Como já disse em outras postagem, o professor era autoridade, dentro e fora da escola. Ele dominava outras línguas e não raro sabiam  o latim e o grego. Dizia-se que para se falar ou escrever o português precisava  conhecer essas línguas mãe. Os professores eram cultos, atualizados em todos os assuntos e muitos prendados tanto que ministravam canto e artes no geral. Tudo era muito difícil. Não havia muitas bibliotecas e como meio de comunicação havia só o rádio,telefone público com uma telefonista que fazia a ligação e se atendia o telefone numa cabine. A telefonista era um cago muito importante, até minha irmã fez curso para ser telefonista. Havia também o telégrafo que ficava na estação do trem e a transmissão por sons era imediata.Bem voltando para o assunto desta postagem,todo aluno que ia mal na escola,os pais transferiam para a escola particular e como por milagre ele acabava se formando. Nas escolas publicas havia  muito entrosamento entre as escolas de cidades diferentes. Como  hoje há entre países,na minha época havia entre cidades. Eu estive em muitas cidades, sendo recebida por pais de alunos do local .Como tenho cara de sírios sempre era escolhida por.famílias sírias ou libanesas. Foi aí que passei a admirar a cozinha dessa terra. Para incentivar a aprendizagem promovia-se maratonas.Os melhores de cada cidade saia para competir em outras cidades ou estados.Numa maratona sobre a história da Grécia fui até a final no Rio de Janeiro , sendo uma das duas vencedoras. Terminado os 4 anos do grupo fazia-se necessário prestar um exame para se conseguir vaga para o ginásio. Só os melhores poderiam cursar o ginásio publico, quem não passasse teria que estudar em escola particular.O Estado pouco investia na escola, tudo era feito pelo próprio diretor  da escola. Se faltava recurso sobrava valor humano! 


8 de fev. de 2011

E,finalmente conheci meu amado Fernando!

Finalmente  a casa da vovó,  na rua Stelio Machado Loureiro foi desocupada e nós mudamos para lá.Era uma casa ampla, com cómodos grandes,um quintal imenso e o principal tinha uma cozinha bem ampla com um fogão de lenha bem lindão.Do lado direito morava  a família Moreira de quem minha família não gostava. Era o pai a mãe e vários filhos.Como minha casa ficava na esquina eles eram os vizinhos mais próximos Evidentemente que não fomos bem recebidos. Sr. João só faltou soltar os cachorros,no dia em que mudamos. A inimizade foi rápida e gratuita.Mas logo no nosso primeiro dia na casa,um menino magro,bem bonito rompeu esse elo de inimizade, chega no murro o escala e vai logo se apresentando:"Eu sou o Fernando,nasci no dia 5/12/1944, sou filho do vizinho,adoro as artes,me arrumar e não tenho nada a ver com minha família,que me detesta,eu quero ser  amigo de vocês!" Foi aí que ele nos conquistou.Por muito tempo ele foi o irmão que eu não tive. A medida que eu me transformava em uma jovem de corpo escultural, Fernando tomava para si a responsabilidade de me proteger,acompanhar e me defender dos conquistadores. Estávamos sempre juntos, ele foi sempre meu confidente e conselheiro.Ele se transformou num moço lindo,se vestia muito bem,seu cabelo estava sempre arrumado.Como estávamos sempre juntos as fofoqueiras de plantão  logo chegaram a conclusão que ou éramos amantes ou ele não era homem..Daí para  ele ser tachado de bichinha foi um passo Ainda hoje homens finos, educados e respeitadores são mal vistos.Fernando foi para mim um verdadeiro cavalheiro, mas entre nós só poderia existir um tipo de amor, o mais sublime de todos:o fraternal. .Nós nascemos para sermos irmãos!

6 de fev. de 2011

E, nata donna ,circondato de tanto amore!

Após completar oito anos comecei a desmaiar.Dr Hermano, o médico foi consultado e após vários exame chegou a uma conclusão:eu me tornaria mulher precocemente. Como o médico era muito amigo dos meus  pais decidiu ajudá-los.Papai e mamãe foram até o consultório e o médico explicou como eles deveriam me orientar para que não chocasse o que estava para acontecer. Tudo deveria ser tratado com naturalidade. Através de imagem ele foi orientando meus pais. O mais difícil foi os dois lerem as figuras pois papai só foi a escola até o segundo ano e mamãe mal falava o português. Foi o amor que os orientou naquela noite em que me explicaram o que ia  acontecer  comigo.Usando o livro que o médico emprestou, eles conseguiram me orientar e me colocar a par das transformações que meu corpo sofreria mamãe começou dizendo"E nata una donna, circundato de tanto amore"(e,nasce uma mulher cercada de muito amor.Papai e mamãe me explicaram que para que se cumprisse os desíguinos da criação ao estar pronta para participar da criação, o pai mandava um sinal sagrado a menina menstruaria..Eles conseguiram com que eu aguardasse a primeira menstruação com um prémio e não como um castigo como toda menina da minha época pensava. O que para elas era um incómodo para mim seria um prémio.Muito eles falaram sobre isso até que aconteceu! Ao acordar no dia 6 de maio de1952, observei que minha calcinha estava suja .Ouvi a voz do meu pai na cozinha  não tive  dúvidas, a tirei e corri contar a novidade.Papai quando me viu chegar,entendeu tudo,correu me abraçar e disse para minha mãe:Hoje a nossa família está em festa não vou trabalhar pois o nascimento de mais uma mulher Fusco Porto tem que ser comemorado como se deve. Naquele dia o almoço foi especial e tomamos um vinho especial. Talves esse seja o motivo pelo qual nunca tive cólicas menstruais,dores horríveis no parto,e quando cheguei a menopausa,não tive nenhum  transtorno.Para mim ser mulher e mãe é uma bênção e não castigo!

4 de fev. de 2011

E, agora com que roupa que eu vou!

Quando chegava o sábado, papai recebia o pagamento pela semana de trabalho, passava no Armazém do sr Alfeu ou do Pavão,comprava o que havia de melhor em alimentos, e algumas novidades sem se esquecer do pedaço de queijo parmesão e a lata de goiabada,em seguida passava na Loja  do Simon onde comprava um corte de tecido para minha irmã e eu,e um par de sapato que combinasse com o tecido comprado, Papai era um homem com alma feminina, com muito bom gosto e percepção. Ele sempre trazia o que havia de  mais moderno e que combinasse com a gente.Eu ficava espreitando sua chegada,e quando percebia que vinha subindo a rua ,corria encontra-lo. Era como se a pessoa mais importante do mundo estivesse chegando.Desde o começo, venho afirmando que meu pai foi e sempre será  a grande luz do meu caminho. Sua grandeza de alma o tornava mais que um homem, um ser único e especial.Por várias vezes ouvi minha irmã reclamando,pois ela gostaria de comprar pessoalmente. Para mim isso era uma prova de amor de papai para conosco.Durante a semana mamãe nos levava a costureira para fazer a roupa nova. eu sempre fui muito exigente,punha defeito em tudo que a costureira fazia.Num certo dia ouvi mamãe combinando em ir a costureira, me animei toda e perguntei a que horas iriámos, mas mamãe disse que ela não mais me levaria, já que punha defeito em tudo, deveria fazer as minhas  roupas.Mais uma vez eu teria que vencer um  obstáculo!Como sempre a as dificuldades só me impulsionão No mesmo dia me tranquei no quarto,imaginei como seria o vestido,  desmanchei um vestido velho, cortei de acordo com o modelo idealizado, costurei, arrematei e naquele sábado fui orgulhosa passear com meu vestido novo. Nunca mais ninguém fez minhas roupas!

No jogo da vida nós só sentamos para jogar,quem embara as cartas é .........

Vovó costumava dizer"Nel gioco della vita che albbiamo appena siduti a giocare, che mescola el mazzo è la destinazione!"(no jogo da vida nós só sentamos para jogar,quem embalhara as cartas é o destino).  Ela acreditava que os acontecimentos de nossas vida independe de nós mas sim da missão que viemos cumprir. Passaremos por tudo que for necessário  para nos preparar para a execusão de nossa missão. Comprovando isso, papai que gozava de uma ótima situação financeira, por insistência de vovó Rubina vende quase que toda as suas terras, e aplica esse dinheiro no banco, para poder trabalhar menos. Esse banco vai à falencia e nos ficamos sem as terras e sem o dinheiro. Não que ficamos pobres,mas com muito menos dinheiro. O restaurante estava indo muito bem,por atender caminhoneiros, servindo comida a qualquer hora, papai recebeu o apelido de Chico Transporte, apelido que o acompanhou pelo resto da vida.Por um bom tempo minha família , se dedicou ao bar e restaurante, mamãe era uma banqueteira muito elogiada,suas festas eram verdadeiros sucessos. Ela passou a preparar as festas mais ricas da cidade e dos arredores. Quando era para italianos cabia a vovó preparar o inhoque, o tiramissù e outros pratos típicos da Itália. Eu como sempre  ficava ao lado da vovó Bárbara,querendo aprender tudo. Logo comecei a preparar as massas com ela, até que ela descobriu que eu havia aprendido tudo que ela fazia. Vovó Bárbara me educou como se estivesse na sua terra. EU era a mais italianas das brasileiras, e o engraçado era que até eu me sentia italiana. Vovó num determinado dia decidiu que apesar dos meus nove anos eu estava pronta para fazer as comidas que ela fazia. Minhas comidas fizeram muito sucesso. Apesar de tudo estar bem,papai não estava feliz.Para um roceiro ficar sem mexer na terra e´um grande sacrifício. Um dia ele decidiu que aquela não era a vida que ele queria. Vendeu tudo e como as suas casas estavam alugadas,mudamos para uma casa pequena e papai foi trabalhar para uma serralheiria tirando madeiras e cascas.Como mamãe tinha feito fama,continuou a fazer comidas. A v\da não estava fácil, mais papai estava muito feliz.

2 de fev. de 2011

Que maravilha, a modernidade chegou!



 


Tendo vendido com um  bom lucro as produções do sítio, papai decidiu fazer uma estravagancia: comprou um moderno aparelho de rádio.Era tão moderno que podia-se melhorar a recepção." Custou o olho da   cara!".Essa foi a expressão que meu pai usou para falar do preço dele. Feita a devida instalação, antena colocada fora de casa, o rádio foi ligado.Você podia selecionar o que queria ouvir, eram as rádios transmissoras. QUE ESPETÁCULO, DE REPENTE MINHA CASA RECEBE A VOZ DE VICENTE CELESTINO! Ele não estava lá mas ouvíamos o que ele dizia e cantava! Ficamos como tontos rodeando o rádio maravilhados. Quanta modernidade! O que mais o homem iria inventar?Logo eu aprendi a comandar essa maravilha! Fiz até uma lista com o nome dos programas e o nome da rádio e horário. Ele tinha ondas curtas. médias e moderada. Era possível sintonisar estações internacionais. Tão logo os vizinhos descobriram a novidade não saíram mais de    minha casa.As jovens e senhoras vinham ouvir as tele novelas, os homens as notícias O rádio se incorpor a rotina da minha família. Antes do trabalho,de madrugada ouvíamos Tonico eTinoco. no Programa do Zé Betio.Para todos nós o rádio foi e ainda é uma grande companhia. Ele consegue distrair ao mesmo tempo que nos insere no mundo.Acredito que mais modernidades que surjam o rádio terá sempre seu papel na comunicação.