31 de dez. de 2010

Tudo que é diferente, chama atenção!

Visto que a menina vivera, agora era hora de lhe dar um nome.Sugestões não faltaram, mas sua mãe queria um nome forte como ela era. Lembrou-se da peça teatral que assistira à poucos dias "Dois Corações", no circo.
A história era muito linda, de um casal que se amava muito, mas esse amor era impossível. Eles se encontram no céu, depois de mortos.
Decidiu que a menina que enfrentou a morte nas suas primeiras horas de vida receberia o nome de Adelia e por ter nascido no natal requeria também o nome de Jesus, seria a Adelia Jesus do Porto.
Natália, como tinha um bebê novo, veio para me amamentar, mas quando colocou o bico do seio em minha boca, senti ânsia, minha mãe entendeu que essa menina, já tinha vontade própria.
Já deu para vocês entenderem que essa menina sou eu, a filha do dono do mundo!
Nasci de forceps, com 6.300kg, minha mãe, a Regina era baixinha só tinha 1,50m de altura. Foi por tudo isso que fui a recém nascida mais visitada e presenteada da região.
Nessa época era de praxe dar ao bebê, animais vivos para que começasse uma criação, ganhei porcas com filhotes, cabras com cabritinhos, galinhas com pintinhos, égua e vacas prenha, além de sacos de milho, arroz e feijão. As visitas eram tantas que a Rubina costumava dizer que mãe e filha estavam dormindo.
E quando em Janeiro a chuva de granizo destruiu toda a plantacão de café e algodão de minha  família, foram meus presentes, que ajudaram a equilibrar as finanças.
Mais tarde quando as finanças voltaram a estar em alta, em comum acordo, decidiram mandar vir da Inglaterra uma moderna máquina de costura, pois segundo os entendidos eu seria costureira ,por ter os dedos compridos.
Papai que aparentemente não queria que eu nascesse, desde meus primeiros dias de vida, foi meu maior guardião e, sempre presente em minha vida.
Ele sempre foi a luz da minha vida, e o exemplo a ser seguido!

30 de dez. de 2010

Nascer é o recomeço de tudo!

Eu esqueci de contar que Natália era uma empregada que pegava toda criança, que por lá nascia, daí a confiança de Regina.
Tão logo chegaram em Avaré, se dirigiram ao consultório do médico. Após o exame Dr Paulo, fica muito bravo com Francisco, ele sem saber o porque, alega que nada fez e que tem cuidado da esposa segundo a orientação recebida dele.
Como observou a preocupação do casal foi logo dizendo que mais uns quatro ou cinco meses tudo se resolveria.
Quando falou que Regina estava grávida, Francisco afirmou "Só se for do doutor, pois eu segui seus ensinamentos ao pé da letra". Difícil foi, fazê-lo entender que tudo pode  falhar. Tudo terminou com grandes  gargalhadas.
Como seria uma gravidez de risco ficou combinado, duas visitas ao médico por mês. Foram embora  temendo o que poderia acontecer, confiantes no poder do Pai.
O resto da gestação foi normal. Como em uma ida ao médico este avisou que não chegaria ao Natal. Toda manhã passavam para vê-la.
O dia 24/12/1944, chegou! Regina atarefada com os preparativos da data, nem notou que seu corpo mudará, só se deu conta quando as contrações começaram.
A noite já passando mal procuram pelo médico, mas este havia viajado e encarregado Manuela, parteira formada de cuidar do caso. Naquela época tudo era difícil, entre procurar o médico e achar a parteira, se passaram quase 12 horas.
Na madrugada, quando chegam, Regina já não poderia ser removida ao hospital, ela corria risco de morte. O Natal acabou para todos: familiares, vizinhos e empregados se dirigem a capela e lá permanecem em oração.
Na casa chorando estava Francisco, os filhos, seus pais e Bárbara.
Rubina e Bárbara acompanham Manuela ao quarto, onde permanecem. Os outros ficam na sala com exceção das crianças que dormiam. O sol já havia raiado, quando Manuela abre a porta e diz "Francisco só posso salvar um, sua esposa ou seu filho, faça a escolha!". Ela nem termina de falar e ele berra "salve minha esposa, meu filho não me interessa".
A partir daí, nada mais ficam sabendo, até que passado das 11h30, Rubina sai animada, nascera de forceps uma menina enorme, que ainda não estava totalmente salva, mas Regina estava viva e se recuperando.
De tão grande, a menina foi embrulhada em um paletó do pai e colocada ao lado da mãe. Todos permaneceram em seus lugares, rezando pela vida das duas.
Antes das 17h00, Rubina entra no quarto e Regina pede que olhe a menina, pois ela estava fazendo um barulho esquisito. Ela pega a menina vira de cabeça para baixo e bate no seu bumbum. Imediatamente começa a soltar bolas de sangue e começa a chorar.
Todos correm ouvindo o choro forte do bebê. Nessa hora com as duas vivas, começa o Natal de 1944.

Foi a festa mais linda que já tinha acontecido no Campo Redondo!

29 de dez. de 2010

Devemos experimentar o novo, mas só fazer o que manda o coração!

Por toda sua vida, Francisco repetiu que ir para São Paulo, foi uma ótima experiência, mas seu coração esteve sempre no sítio,que ele chegava até a sentir o cheiro da terra.
Com o coração aos pulos, voltam para a vida no campo. Enquanto estavam em São Paulo, devido a idade avançada, Paschoal, vende seu amado sítio, compra uma casa em Cerqueira César e para lá se mudam.
Devido a bebida sua saúde estava abalada. Retornando à  vida da roça, Francisco começa a usar o que aprendeu na cidade grande.
Sai a procura de compradores para o que produz; de imediato negocia a venda de bananas verdes para a fábrica de esmalte para unhas, cascas de árvores para fabricação de papel, osso para fabricação de pentes e botões. Vai arrastando os outros italianos nos seus negócios e seu papel na comunidade vai crescendo.
Enquanto sua filha cresce agarrada aos avós, seu filho participa de tudo no sítio.
O pai de Regina piora, vindo a falecer ao lado de toda a família. Imediatamente Francisco traz Bárbara para morar com sua família. Nunca vi genro e sogra se gostarem tanto como esses dois.
A relação de Bárbara e Rubina era ótima mas com José ...
Nessa época havia sete famílias de brasileiros trabalhando no sitio As crianças iam juntas para a escola em Barra Grande, que era bem perto.
Regina começa a ter problemas de saúde, tudo começa a fazer mal. Sente algo estranho a mexer em sua barriga. Comenta com Natália, que a aconselha a ir ao médico, pois pode ser a mãe do corpo.
No mesmo dia Francisco a leva ao Dr Paulo, em Avaré.

Rumo a novas conquistas!

Francisco além de muito bonito, era muito inteligente, mesmo sem ter estudado dominava a matemática como ninguém. Sabia cálculos avançados, quadratura do círculo, o que possibilitou calcular a retirada de tábuas de uma tora.
Nessa época eram os proprios fazendeiros que preparavam as madeiras para construção de casas. Logo ele passou a calcular para todos.Vinha gente de longe para que ele calculasse.
No sítio onde morava mantinha uma área com eucaliptos para renda. Foi com a derrubada dela que ele pode comprar uma área chamadaViuvinha.
A sua inteligencia e esperteza nos cálculos logo tornou conhecida por todos. Um casal, dono de uma firma de materiais elétricos, querendo produzir objetos de louças usados na parte elétrica convida Francisco para trabalhar com eles. De imediato ele diz que não.
Por um bom tempo foi assediado por eles, até que o convidam para fazer um curso sem compromisso. Nesse curso Francisco descobre que sabia muito de calculo e que havia um grande leque de serviços que poderia executar sem ficar dependendo do sol ou chuva.
Decide com a aprovação de Regina aceitar o emprego. Ele torna-se técnico na fabricação de peças como soquete de lâmpadas. Na época eram de louças e raros.
Tudo resolvido, entrega a admistração de suas terras ao seu irmão Mingo, pega sua família e partem para São Paulo.
Lá vão morar em três cômodos grandes. Enquanto Francisco trabalhava, Regina além de cuidar das crianças passa a bordar para fora. Logo se tornou conhecida pela qualidade do bordado.
Naquela casa o dinheiro era farto. Por um bom tempo tudo foi ótimo, não havia sujeira o trabalho era limpo, sem os barros do sítio, até que a saudade do manejo da terra, o cheiro do mato molhado invadiu o coração.

28 de dez. de 2010

Uma vida cheia de amor, estava só começando!

Após o casamento na igreja, casam-se no cartório, e daí seguem para as comemorações.
Quando chegam,  a comida já havia sido servida e  a nova família é recebida com música e dança. A comida era farta e muito saborosa, tudo tinha sido feito com muito esmero. O bolo era um luxo só, tinha três andares, todo decorado com camélias, que era a flor preferida da noiva.
Dançando, comendo ou cantando a festa foi se arrastando pela noite a dentro. Certa hora os noivos se despedem dos pais e seguem para sua nova casa!
O dia seguinte amanhece lindo, ensolarado, como eles queriam que fosse a vida deles.
Aos poucos Regina vai se adaptando a nova vida e logo, senhora de si, passa a cuidar dos animais, tirar o leite, domar cavalos e principalmente administrar o trabalho das mulheres dos colonos. Rapidamente ensina as mulheres a fazer queijos, o que aumenta a renda da família. Ensina  também a cozinhar, bordar e costurar. Passa a ser idolatrada por todas.
O tempo passa enquanto o casamento deles vai se consolidando e antes de um ano é abençoado com o nascimento de uma filha. Como era a primeira neta da família Porto, desde o seu nascimento, foi tratara como uma rainha. Pouco Regina pode influenciar na sua educação, pois ela estava sempre ao lado da avó. Tempo depois teve mais uma filha, que após uma semana de vida veio a falecer.
Tirando esse fato triste, a vida da família era só alegrias. Francisco, como bom italiano valorizava seu sobrenome e tinha o sonho de ter um filho para dar continuidade a ele. Assim,quando a primeira filha tinha mais de três anos encomendaram outro bebê. No dia de São Sebastião vinha ao mundo seu filho varão. Era um menino lindo, enorme, pois Regina apresentara durante a gravidez uma diabete. Por ordem médica, ela não mais poderia ser mãe.
Parecia que os céus estavam conspirando contra ela, cujo desejo era ter muitos filhos. Só mais tarde iriam entender o que estava sendo preparado para eles.

O dia do casamento finalmente chegou!

O dia 24/06/1934, amanheceu muito bonito, era como um presente dos céus para o casal que tanto se amavam.
No sítio, dos pais da noiva, estava tudo preparado para a grande festa! O terreiro de café, fora transformado num grande salão coberto por lona, estava todo enfeitado com flores de São João e avencas; com quatro mesas compridas, feitas com cavaletes. Nas mesas havia toalhas brancas, toda enfeitada com flores.
Como iriam se casar em Avaré todos se aprontaram bem antes da hora marcada. Primeiro sairam os parentes e se dirigiram para a Igreja Nossa Senhora das Dores.
A noiva e seus pais seguiram em uma carroça toda enfeitada. O noivo seguiu com seus familiares, do seu sítio direto para a igreja.
Nesse dia os noivos não se viram, só se veriam na hora do casamento. A igreja esta cheia de flores, um tapete vermelho fora colocado da porta até o altar, por onde a noiva passaria. O altar estava lindo, todo enfeitado.
Com a chegada do noivo, todos entraram e logo a igreja ficou cheia; pois as duas famílias eram muito conhecidas.
Quando Regina chegou, foi aquela festa, todos a receberam com palmas, ela era muito querida por todos.
Toda vez que mamãe falava desse dia seus olhos brilhavam e lágrimas escorriam pelo rosto; tenho certeza que esse foi um dos dias mais felizes de sua vida. Ela descrevia tudo com muita riqueza de detalhes, se não sou  fiel na minha descrição é talvez, por não ter  vivido esse momento com ela.
Quando a porta da igreja se abre e Regina ve seu amado, aguardando no altar, suas pernas tremem, seu coração dispara e ela segura no braço de seu pai, respira fundo e segue para a realização de seu maior sonho!

27 de dez. de 2010

Estava escrito nas estrelas!

Paschoal e Bárbara emocionado, as lágrimas, com os braços abertos correm ao encontro da família que se aproximava. Seus filhos e noras nada entendiam, pois esperavam a família do pretendente da Regina e não de pessoas conhecidas.
Quando  chegam na casa tudo é explicado. Na verdade o casal que acabava de chegar eram os velhos amigos, José e Rubina, com quem haviam combinado casar seus filhos (Francisco e Regina), a mais de dezoito anos.
Os convidados trouxeram de  presente as uvas que colheram em seu sítio.
Tinham muito que conversar, o que mais estranharam é que mesmo sem saber seus filhos, fizeram cumprir o acordo firmado entre eles, era como se o encontro dos dois estivesse escrito nas estrelas: tinha que acontecer.
Regina não poderia adivinhar que o jovem por quem ela se interessou, fosse o seu prometido! Tudo aconteceu naturalmente.
A alegria foi geral! Ao invez de começar o namoro, já combinaram o noivado.
Já noivos, as famílias passaram a se encontrar com mais frequencia, para planejar o casamento. A família Porto morava próxima, no Sítio Campo Redondo, em Avaré; assim juntas as duas famílias puderam cuidar de tudo.
Uma casa foi construída nas terras de Francisco, que era ao lado da do pai. Regina quis sozinha cuidar das mobílias e da decoração da nova casa. Cortinas foram feitas, almofadas colocadas, muito crochê, bordados foram usados.
Depois de tudo pronto o casamento foi marcado. Seria no dia de São João!